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Abuso sexual contra crianças: Está acontecendo agora, como saber?

Prosas da vida ajuda vocês, pais ou responsáveis.

30/01/2020 07h14
Por: Redação
Abuso sexual contra crianças: Está acontecendo agora, como saber?

 Nossa prosa de hoje vai responder uma pergunta enviada por uma mãe:

“O que fazer para tirar informações de uma criança sobre algo que ela já tenha passado, sobre algum abuso ou violência que ela de repente já tenha sofrido? Minha filha tem 6 anos e não é de falar as coisas que acontecem com ela, só depois quando ela passa por algo parecido é que ela comenta. Até agora percebo que não aconteceu nada demais, mas o que posso fazer para evitar que o pior aconteça, que minha filha sofra violência sexual? ”

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A preocupação desta mãe é muito válida e serve de alerta para todos que têm filhos. Todos os dias vemos nos noticiários dos jornais e redes sociais que a violência sexual contra crianças tem aumentado assustadoramente. Dados do Ministério da Saúde apontam que entre 2011 a 2018 a violência sexual contra crianças aumentou 83%, e que 75% destes casos acontecem dentro de casa, ou seja, a violência sexual está sendo cometida por um membro da família ou por algum amigo próximo e sinto dizer que muitos pais e mães ainda não se alertaram para esta realidade.

Semana passada, foi noticiado nas redes sociais, que um pai havia violentado sexualmente sua filha, uma bebê de apenas 13 dias; e um padrasto que violentou a filha de sua companheira de apenas 1 ano de idade. Nos dois casos, as crianças morreram. É chocante falar disso, mas não podemos fechar os olhos aos perigos que circundam a vida de nossas crianças. Precisamos estar sempre em alerta.

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Voltando então à pergunta da mãe:

“O que fazer para tirar informações de uma criança sobre algo que ela já tenha passado, ou sobre algum abuso ou violência que de repente ela já tenha sofrido?

Vou responder direcionando a todos os pais: Para que a criança fale sobre o que acontece na vida dela, sobre suas dificuldades emocionais, sobre seu dia a dia, é necessário que ela tenha uma vinculação afetiva e de confiança muito forte com a pessoa que está buscando a informação e o fato de ser mãe ou pai não é sinônimo de que isto vai acontecer naturalmente.  Por isso que sempre reforço com os pais a necessidade de desenvolver com os filhos, um apego seguro, um vínculo de amor baseado num relacionamento de carinho, confiança, proximidade e afeto, isto vai contribuir para que a criança se sinta à vontade para conversar.

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Desenvolvam o hábito de conversar com os filhos sobre vários contextos da vida deles, mostrem-se atentos e interessados ao que a criança está querendo falar, conversem sobre tudo, principalmente sobre o que é de interesse dela, respeitem a opinião da criança, parem para ouvi-la, olhem nos olhos, assim ela irá perceber que vocês a amam, pois doam o tempo de vocês para escutá-la e entende-la.  Tem pais que só conversam com a criança para dar bronca ou chamar-lhe a atenção por ter feito algo inadequado. Esta dica deve virar um estilo de vida na vida das famílias, use e abuse do contato, das brincadeiras e da conversa agradável.

Outra questão importante: A criança possui uma linguagem muito particular de interagir com o mundo à sua volta, a linguagem do brincar. Então brinquem com a criança, mas deixem que ela decida as regras das brincadeiras, no brincar, a criança expressa emoções, sentimentos e vivencias do seu dia a dia e caso esteja sofrendo algum abuso ou violência, poderá expressar quando estiver brincando. Fique atento e caso identifique algo suspeito, não hesite de procurar ajuda de um psicólogo. Então, observem a criança brincar.

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O desenho livre também é uma ótima estratégia para observar se algo estranho está acontecendo com a criança, então desenhem com os filhos, peçam para que desenhem como foi o dia deles, imprimam carinhas com emoções, peçam para que pintem a emoção que está sentindo no momento, incentivem as crianças a contar histórias com recortes, desenhos, figuras diversas e   etc. Esta estratégia além de fortalecer o vínculo entre pais e filhos, ajuda a criança a se expressar melhor e a comunicar suas emoções de forma mais adequada, vai ajudar também a criança desenvolver a inteligência emocional, mas caso observarem algo estranho no desenho ou na contação da história, mantenham a calma e hajam naturalmente, não obriguem a criança a repetir o que falou, fazendo muitos questionamentos, esta atitude poderá assustá-la e deixá-la com medo de punição, já que no caso de violência sexual, a maioria das crianças sentem-se culpadas pelos abusos sofridos. Novamente repito, busquem ajuda profissional.

Outra questão que os pais precisarão observar é se a criança vai mudar de comportamento. Sinais físicos de violência sexual podem ser difíceis de observar, mas a criança que sofre abuso sexual ou outro tipo de violência, pode apresentar alteração no humor, se mostrando impaciente, irritada, ansiosa, de comportamento dito ‘rebelde’, apresentar medos que não possuía antes, ter pesadelos,  comportamento evitante (evita contatos), perder o desejo por brincar, se tornando introvertida, triste, podendo também  regredir  a estágios anteriores do desenvolvimento, ou seja, pode voltar a fazer xixi na cama, querer colo, chupar dedo, fazer birras e etc. Fique de olho. Estes são apenas alguns sinais que poderão indicar que algo não está bem com a criança.

A outra pergunta que a mãe fez: “Mas o que posso fazer evitar que o pior aconteça, que minha filha sofra violência sexual? “

 Agora vamos falar sobre algo mais voltado a prevenção do abuso sexual, neste tópico serei mais direta:

- Conversem com sua filha e filho sobre o que é abuso sexual. Utilizem imagens do corpo humano, ou livros próprios para idade de suas crianças e expliquem para elas onde se encontra a intimidade delas, falem e mostrem onde está localizado a vagina, o pênis, os seios e o ânus, digam que ninguém pode tocar nestas partes ou querer vê-las, explique que a ‘mamãe ou o papai’ ainda tocam apenas para lavar ou limpar  e somente nestes momento isto irá acontecer. Explique que quando forem ao médico, ele precisará olhar as partes intimas por necessidade para ver se está tudo bem, mas que vocês, pais, estarão perto.

Quebrem este tabu de não falarem sobre este assunto com os filhos, só por que seus pais nunca conversaram com vocês, este tema, para este tempo, é questão de vida, morte e saúde mental para os filhos.  Não é ensinar o que é sexo, não é sobre isso que falei, é ensinar a criança que o corpo dela é sagrado e que ninguém pode tocá-lo, falo de ensinar a criança a se proteger.

 - Evitem deixar a criança em casa sozinha na companhia de um adulto apenas. Se precisar deixá-la, que fique junto a um grupo de pessoas, assim dificulta a ação de um possível abusador. Se for deixar seu filho sobre cuidados de cuidador, busque referência sobre a pessoa e dos serviços que já tenha prestado. Cuidado com estranhos.

- Ensine seu filho a falar “NÂO” e a te contar se o abuso chegar a acontecer. Brinquem de fazer o “juramento do dedinho”, se for o caso, mas incentivem a criança a contar para vocês.

Caso desconfiem que alguma criança esteja sendo abusada, mesmo não sendo seu filho ou parente, denunciem e estejam atentos e prontos a ajudar a qualquer criança que encontrarem pela frente. Elas não respondem por sí, elas precisam de nós.

Adriana de Azevedo – Psicóloga clínica a organizacional, Educadora parental, Psicopedagoga, Analista em recrutamento e seleção, Palestrante,

Contato: 27 99812 2283 email: [email protected]

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