Muito sério isso

Prosas da vida: Mãe, me respeita, por favor!

A incrível imposição da filha sobre não querer almoçar, e a incrível ação da mãe

14/01/2020 11h16
Por: Redação

A prosa de hoje é um relato de uma experiência pessoal que tive com minha filha, que hoje tem 5 anos. Na época, ela tinha 3 anos e meio, mas já expressava uma habilidade tremenda de demonstrar sentimentos da maneira adequada. O que para muitos adultos se torna difícil, como dizer um "não" por exemplo, para minha pequena é uma questão simples, pois se ela não aceitar sua proposta, te dirá um ‘não’ da forma mais tranquila e ainda te convencerá dos motivos de ter dito um ‘não’ para você. Observem a nossa prosa e percebam a habilidade argumentativa da criança:

- Filha, vamos almoçar, está na hora.

- Aaah, Mãaae, eu não quero almoçar. Quero biscoito.

- Não. Hora de almoço é hora do almoço. Biscoito é só no lanche da tarde.

- Mas mãe, não quero almoçar. Então, quero melancia.

- Não "sinhora", melancia é sobremesa para depois que você almoçar

- Mas mãe, eu não quero almoçar. Estou sem fome.

- Filha, vamos almoçar sim, é para você crescer e ficar forte e bla, bla, bla...(Aquele papo de mãe convencendo o filho a comer, que todas as  mães e avós conhecem muito bem)

Neste momento fui interrompida educadamente com a seguinte frase

- Mãe, olha só, eu não quero comer e você precisa me respeitar, me respeita, por favor! Eu não quero comer.

Levei um "baque", quase cai para trás, pensei: quanta ousadia numa menina de 3 anos apenas, Meu Deus e agora? O que faço?

Foi quando eu deixei o pratinho dela sobre a mesa e disse:

- Perai" que já volto para conversar com você. Dei uma volta pela casa, respirando fundo, pensando no que fazer...rs! Até porque, nós, psicólogos, não temos respostas prontas. Pensei, pensei e depois de um tempinho voltei a cozinha, aonde ela estava, abaixei à altura dela, segurei no queixinho furadinho  e disse com muuuuito carinho:

- Filha, é verdade, a mamãe precisa te respeitar. Você tem toda razão, e a mamãe faz isso. Por exemplo: sempre que é possível, a mamãe deixa você escolher. Você escolhe roupa que quer usar, o sabor do sorvete que quer tomar, o que quer assistir na TV,  do que quer brincar, mas tem coisas que mesmo você não querendo, eu preciso insistir, não posso permitir que fique sem almoçar e neste embalo da conversa, eu a peguei no colo, me assentei e ela comia enquanto eu falava da importância do "almocinho"  na saúde das crianças de forma bem lúdico, risonha e engraçada, e foi entre risos e estórias da comidinha, que ela comeu tudinho...

Agora vamos refletir:

Qual seria a reação da maioria dos pais diante de uma situação como esta?   

Você pode falar: Aaaah, se eu falasse assim com minha mãe eu ficaria sem os dentes. Se fosse minha filha, iria levar logo um "soco no pé da orelha" para aprender. Mas a pergunta que precisamos responder é: quebrar os dentes do filho ou dar uma surra bem dada, irá fazê-lo respeitar e amar mais a você? Irá ajudar a desenvolver um caráter sem mácula? Contribuirá no desenvolvimento psicoemocional de sua criança? Que tipo de disciplina você tem usado para educar seus filhos? Tem dado resultado?

Sei que cada família tem sua forma de funcionamento mas precisamos enquanto pais, mães, avós, aprendermos a observar e avaliar se a estratégia utilizada para educar e disciplinar a criança, está sendo eficiente e trazendo resultado ou se está apenas sendo um modelo de escape para você descarregar sua raiva quando fica estressado?

Dia desses uma mãe me falou: “Não sei o que faço, eu já bati, tirei o vídeo game, já gritei,, deixei no cantinho da disciplina, deixei sem ir para o.futebol, sem o celular mas mesmo assim meu filho não muda, continua desobediente, respondão, ignorante. Não sei o que faço.

Que tal mudar de estratégia? Pare de bater, gritar, tirar coisas e etc. Se não está dando certo, para que continuar usando estes recursos? Qual seu objetivo para continuar? Dizer que é você que manda ou ensinar seu filho a ser uma criança disciplinada, educada e boa pessoa?

Já tentou usar a estratégia do diálogo, da disciplina positiva, dos combinados, da tolerância, pautados no respeito, sem opressão, sem gritos e xingamentos?

Não digo que seja fácil, mas afirmo que é possível.

Busque ajuda!

Adriana de Azevedo – Psicóloga, Educadora parental, Psicopedagoga, Palestrante, contato: 27 99812 2283 email: [email protected]

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