
A Direção da Fundação Beneficente Rio Doce, uma médica pediatra especializada em Unidade de Terapia Intensiva Infantil (UTIN) e pelo menos um pai registraram Boletim de Ocorrência da Delegacia de Polícia Civil dando conta de que o profissional que deveria iniciar o plantão na sexta-feira (11) à noite e encerrar nesta segunda-feira (14) de manhã, não compareceu para trabalhar. Os BOs foram registrados como precaução, caso alguém perdesse a vida por causa da iniciativa do profissional.
A atitude do médico (ele não teve o nome divulgado) resultou em um princípio de tumulto no hospital, que precisou transferir diversos partos para hospitais de outras cidades. “Nós não sabíamos que o pediatra não viria e gostaríamos de deixar claro desde sexta-feira a Diretoria está aqui (no hospital) e que, se uma grávida chegar e não houver tempo para a transferência, ela ganhará o neném sem qualquer problema”, disse o diretor José Cardia.
Toda assistência relativa à remoção das pacientes contou com apoio de veículos cedidos pela Prefeitura de Linhares e a notícia menos pior é que, até a manhã deste domingo (13) não morte em decorrência do problema causado pela falta do médico.
De acordo com José Cardia, a TUIN do Hospital Rio Doce (que é a única do Norte do ES e Sul da Bahia) possui oito leitos (todos estão ocupados) e o plantão de sete dias conta com quatro especialistas. Questionado sobre o motivo de nenhum pediatra do setor ter entrado em ação para substituir o que faltou sem avisar, o Diretor disse que um está em São Paulo e que outro também não está em Linhares, restando a médica que registrou o BO.
UTIN poderá fechar se hospital não conseguir contratar profissionais
A notícia pior para a população de Linhares e outras cidades que dependem do atendimento da Unidade de Terapia Intensiva Infantil (UTIN) do Hospital Rio Doce, é que a Fundação não consegue contratar profissionais e a Unidade poderá fechar as portas. Os pediatras, conforme explicou Cardia, não querem trabalhar no interior por causa do salário. “Já colocamos propaganda no Estado e no Brasil inteiro, mas não estamos conseguindo contratar. Uma profissional está grávida e logo não poderá mais atuar nos plantões. Infelizmente, se não conseguirmos médicos para trabalhar na UTIN, teremos que fechar mesmo”, lamenta o Diretor.
O Hospital Rio Doce realiza, em média, 350 partos por mês e desses, de acordo com Cardia, 15 % são de alto risco, ou seja, dependentes do funcionamento da UTIN. Nesta segunda-feira (14) haverá uma reunião, mas não há previsão para que as grávidas voltem a ser atendidas no Hospital Rio Doce.
.
.
Mín. 17° Máx. 30°