
“Quem não se comunica, se trumbica” – Parte IINa prosa da semana passada, eu falei um pouco sobre a comunicação no casamento. Quero ressaltar que não é possível sabermos ou ‘desenharmos’ como deve ser a comunicação ideal entre um casal, mas uma coisa é certa: ela deve ser clara, paciente e cheia de empatia. Deve considerar e respeitar as diferenças e os sentimentos da pessoa amada. Então, tome muito cuidado com a comunicação que se utiliza de disfarces, indiretas, ironias, acusações e sarcasmos. Usar destas estratégias na comunicação com o cônjuge é destinar seu relacionamento à morte. Veja alguns exemplos de comunicação violenta, que podem destruir seu casamento:
Comunicação sem empatia:
A esposa está atrasada para o trabalho, mas precisa imprimir um material urgente antes de sair, percebe então que a tinta acaba no momento da impressão do documento. Ela, nervosa, devido à pressa, pede ao esposo: ’Troca o cartucho pra mim? Ele responde aos risos: “Tá brabinha, hein! Troco sim; em quem você vai “atirar” hoje?
(Considerando que ela estava nervosa, o ideal seria que ele buscasse resolver o problema, mostrando-se solícito, acolhedor, mantendo-se calado, sério e focado em ajudá-la).
Comunicação irônica, com objetivo de desqualificar o outro:
O marido está varrendo o quintal, a esposa chega, olha à volta, vê algumas folhas espalhadas, e com ironia, diz: “Se eu falasse que você varreu igual “a sua cara”, você ficaria com raiva? Kkkk
(O ideal nesta história é que a esposa diga: “Como você foi prestativo em varrer o quintal, ficou bom, mas quero pedir outro favor, você poderia juntar estas folhas mais para o cantinho? Penso que será melhor para ensacar depois.).
Comunicação provocativa e acusativa:
A esposa ciumenta chega à sala, o marido mexendo no celular, ela Pergunta: “Tá fazendo o que? conversando com as amiguinhas?” Ele, irritado com a pergunta, provoca: “Minha querida, eu não quero contrariá-la, mas não vou responder diante de sua pergunta idiota”.
(Ooooh, Deus, a briga é certa, mas não vou entrar no assunto da falta de confiança do casal. Neste caso, o marido, se utilizando do autocontrole, poderia responder: “Não gosto quando fala assim, me aborrece este tipo de comentário, mas se deseja saber o que estou fazendo, estou pagando os boletos do mês.). Neste caso, indico terapia de casal.
Comunicação que desconsidera a outra pessoa
A esposa chega atrasada do serviço, cansada, se joga no sofá e o marido pergunta: “Por que chegou tarde? Ela diz: “Nooossa! Tive uma série de problemas no trabalho e não pude sair no horário, tô muito chateada porque meu patrão”... Neste momento, o marido interrompe e sai de perto da esposa, gesticulando e dizendo: “Aaah, os problemas, o que seria da humanidade se não fossem os problemas? Todo mundo tem problemas, para de reclamar.
(De forma sarcástica, ele desconsidera os sentimentos dela. O ideal seria que o esposo dissesse: “Fiquei preocupado com sua demora, aconteceu alguma coisa?” E parar para ouví-la de forma empática, como quem se preocupa com o outro à sua frente.)
Como eu disse antes, não há uma receita exata da comunicação ideal, mas precisamos tomar consciência de que a comunicação baseada em hábitos automáticos, hábitos de falar sem pensar, pode se tornar violenta, assim como nos vários exemplos acima.
A dica é que casal converse sobre a maneira como se comunica e que busque desenvolver uma comunicação que favoreça uma troca saudável. Não é fácil, precisa investir tempo, afeto, paciência e amor. Falando em amor, qualquer dia a gente troca um ‘dedin’ de prosa sobre o amor. Prepare seu coração.
Adriana de Azevedo Barbosa, Psicóloga (CRP 3276/16), Coach de pais, terapeuta familiar, Palestrante.
Contato: 27 99812 2283 – email: [email protected]
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