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Psicóloga emociona ao declarar: Fui criança, mas não tive infância

A incrível experiência vivida por uma mulher que não soube o que é ter infância.

18/10/2019 às 07h36 Atualizada em 19/10/2019 às 20h37
Por: Redação
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Psicóloga emociona ao declarar: Fui criança, mas não tive infância

"... Marcas de sujeira, sai com água, marcas emocionais, ocasionadas por privação de viver a infância, não sai com água".  Você com certeza foi criança um dia, claro que foi. Todos nós fomos crianças, um dia. Mas você teve infância? Vou dar um exemplo para entenderem o que é ter sido criança, porém não ter tido infância:

Eu não tive infância. Não me lembro de ter brincado de boneca ou de casinha, não me lembro de fazer “cozinhadinho” com lama, num quintal, junto com outras crianças, não me lembro de ter brincado de pique, amarelinha, pião ou pipa, não me lembro de ter tido momentos no parque com meus pais, não me lembro de ter dormido no colo deles ou de ter sido carregada por eles para minha cama, não me lembro de ter comido uma sobremesa feita por minha mãe, num almoço de domingo, com a família reunida, junto com as “primaradas”, aliás, não me lembro da minha mãe.

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Da minha fase de criança, de 8 a 9 anos (até porque não pude ter infância) eu me lembro de ter apanhado muito, apanhava com uma régua de madeira e geralmente minhas roupas cobriam braços e pernas para esconderem as marcas da violência física.

Era obrigada a trabalhar, cuidar de meus irmãos mais novos, fazer comida, lavar vasilhas, limpar casa. Me lembro por várias vezes ter sido acordado a noite com “sopapos” na cara, por ter dormido sobre o tanque de vasilhas, ainda sujas. Me lembro de gritos, xingamentos e ameaças. Eu não me lembro de ter brincado, assistido desenho, fantasiado, sonhado. Não tenho saudade. Não tenho motivos para ter saudades da minha fase de criança.  Eu fui criança, mas não tive infância.  

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Chega de minha história, talvez um dia escreva um livro sobre “superar e vencer”, mas o objetivo da prosa de hoje é levar você a refletir se você teve infância, e te dizer que se você não teve infância, precisa ter cuidado para não privar seu filho desta maravilhosa experiência, por acreditar que não seja algo importante.  

Falo que é uma ‘experiência maravilhosa’ não por ter vivido uma infância, mas por proporcionar que meus filhos vivam e por observar o quanto tem sido bom para o desenvolvimento emocional deles.

Já vi pais brigarem com os filhos quando estes expressam características típicas da infância. Dia desses, num supermercado, uma mãe, segurou forte o punho do filho, de aproximadamente uns 4 anos e disse esbravejando:

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- Paaara de pular, já te falei, deixa de ‘criancice’.

Pensem comigo: Como que uma criança não vai fazer ‘criancices’?  Crianças tem que fazer criancices, estas coisas que a gente acha imaturidade nelas, são expressões características da fase que ela estão vivendo. Vamos respeitar. Criança faz criancice, sim.

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Quando vi a cena, fiquei irritada. Depois fiquei pensando: bem que poderia ter falado com a mulher no supermercado: “E a senhora, deixa de ‘adultice”, Ooooxi, sua chata!!

Pais, mães, avós, tias, professores, cuidadores, deixem as crianças expressarem a alegria, a inocência, a imaturidade, a criatividade, a fantasia, os sonhos e as ‘criancices’ que são características típicas da fase delas.

A criança não deve assumir trabalhos que são responsabilidade de adultos, prejudicando assim, o tempo dela para brincar, estudar e dormir. Criança tem que ter responsabilidade sim, mas que estas sejam de acordo com o tamanho e idade que ela tem.

Criança não “cuida de casa e nem de outras crianças”, isto é responsabilidade de adulto, mas dependendo da idade, ela pode ser a responsável por guardar as roupas no guarda-roupa e manter seu quarto limpo.

Não sobrecarreguem o tempo que a criança tem durante o dia, com atividades e rotinas exaustivas na escola, no balé, no inglês, na informática, na natação e etc. Excesso de atividades, mesmo que pareçam positivas, prejudicam a infância.

E por fim, não matem a infância dos filhos, em troca da casa limpa e arrumada. Deixem que espalhem os brinquedos, que brinquem no quintal ou na pracinha, que pulem nas poças de lama, que subam em árvores, que tomem banho de mangueira, que brinquem de “cozinhadinho”, que se sujem, afinal, marcas de sujeira, sai com água, marcas emocionais, ocasionadas por privação de viver a infância, não sai com água. Isto eu posso garantir.

Dica de documentário para a família assistir: “A invenção da Infância”. (Youtube)

Dica de música para curtir num momento legal com suas crianças: “Mundo da criança”, (cantor e compositor Toquinho).

Adriana de Azevedo

Psicóloga – CRP 3276/16  

Coach Educadora parental  

Palestrante

Tel 27 99812 2283

Email: [email protected] 

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Patrícia Há 4 anos ...Hoje liguei para os meus pais para perguntar como era minha vida quando criança pq eu não consigo lembrar de quase nada e eles tbm não souberam me responder aí gente é muito triste
Maria Aparecida Há 7 anos ... ????CIDA ???? Parabéns Dr. Dri, pela iniciativa de compartilhar conosco sua história, nem por isso se tornou uma pessoa amarga e infeliz, é um bom exemplo de vida para todos. A conheço perfeitamente, e sei que és amiga, mãe, esposa genial.
AndressaHá 7 anos ...Que texto lindo. Eu tive uma linda e encantada infancia ate hoje lembro em detalhes essa fase maravilhosa e ainda sou uma mae muito infantizada adoro brincar com meu trio de filhos
Vilma Há 7 anos ...Nossa parece que li minha história de vida????tivemos a mesma vida triste????????quando comecei ler parece que falava sobre mim,mais ainda faltou as mais bárbaras que só Deus sabe
EliseuHá 7 anos ...Pois é. Também não sei o que ter infância. Tive que trabalhar, ajudar meus pais e se errava levava uns sopapos. Mas cresci com dignidade, nunca aprendi ou segui o que via de errado, nunca fui preso ou sequer abordado pela polícia.
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