Para pensar, e agir

Dia das crianças: Garotinha troca bicicleta por algo que você nem acreditará

Será que o que estamos comprando ou oferecendo aos nossos filhos é realmente o que eles querem e esperam de nós?

09/10/2019 20h14Atualizado há 2 dias
Por: Redação
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Estamos na semana da criança, dia 12 de outubro se aproxima e por certo que muitos pais, mães ou avós, que agora estão lendo esta prosa, sonham ou já sonharam em presentear suas crianças com algo especial.  Muitos de nós sacrificamos até o orçamento da casa nestas datas especiais, por acreditar que se comprarmos a famosa boneca LOL, um celular ou o ‘super-herói do momento’, estaremos fazendo felizes as ‘pessoinhas’ que tanto amamos.

Mas será que é isso mesmo?  Será que o que estamos comprando ou oferecendo aos nossos filhos é realmente o que eles querem e esperam de nós?  

Vem comigo nesta prosa. Te conto no caminho.

Era véspera das festas natalinas de 2017. Eu e meu esposo queríamos dar de presente, uma bicicleta para nossa filha, a Isa, de apenas 3 aninhos. Eu já havia passada em várias lojas para pesquisar os preços, e estava determinada em comprar uma bicicleta rosa, liiiinda, mas ela nunca havia pedido uma bicicleta, era meu sonho quando criança, ganhar uma bicicleta e imaginava que era o sonho dela também. Certo dia, ela chegou pra mim com um encarte de uma loja de brinquedos, Observem a prosa:

- Ooolha, mãe...Que lindo!!

- O que, Minha flor?

- Olha aqui, olha aqui, uma coroa de princesa e uma varinha de fada, compra pra mim? Por favor, cooompra.

Olhei o encarte e vi que a coroa e a varinha que ela pediu, custavam R$ 39.90 e no mesmo encarte também tinha uma bicicleta que custava R$ 399.00. Aproveitei a euforia dela pra mandar aquela indireta e oferecer a bicicleta.  Acreditei que eu ia ‘bombar’ com a minha oferta e que ela ficaria muito feliz, pois afinal, a bicicleta era mais cara, mais útil e no meu entender, era o sonho de toda criança. Imaginei que ela me abraçaria e diria: “obrigada mamãe, quero sim, meu sonho é ganhar uma bicicleta” e neste pensamento, eu disse:

- Ooolha filha, que bicicleta lindaaa! O que acha desta bicicleta? ‘Tô’ querendo te dar uma bicicleta de presente, igual a esta.  

- Mããããe, uma bicicleta, todas as crianças já ganham, assim fazem todos os pais, todos dão bicicleta, vocês terão que me dar mesmo, mas agora eu quero a varinha e a coroa. Vocês vão comprar? Por favor, mãe...

Neste momento eu fiquei olhando para minha filha com um nó na garganta, decepcionada, olhos cheios de lágrimas e questionei a mim mesma: ‘meu Deus, o que eu estou fazendo?’ E só consegui responder o seguinte:

- Tudo bem, vamos pensar melhor e decidiremos num outro momento. 

O tempo parou pra mim naquele momento, e enquanto eu observava minha filha, toda feliz, mexendo naquele encarte da loja de brinquedos, eu comecei a refletir, chegando à dura conclusão de que o desejo de dar a bicicleta era somente nosso, e este NOSSO desejo enquanto pais, provocou nela um expressão de ingratidão, comportamento típico daquela criança que ganha tudo dos pais, mas não aprende a importância do afeto e do amor no relacionamento paternal.“Ela deixou subentendido nas palavras, que era obrigação nossa dar uma bicicleta para ela: ‘porque assim fazem todos os pais”.

Fiquei “pasma”, porque era a maior expressão de ingratidão que eu já tinha visto em minha filha, mas entendi que ela era muito pequena e não seria bronca que resolveria a situação, entendi teríamos um longo caminho e vários desafios pela frente para ensiná-la a importância da gratidão na vida dela.

Mas esta experiência fez com que mudássemos os planos: Ela não iria mais ganhar uma bicicleta, ela não queria uma bicicleta, porque deveríamos dar? Só porque todos os pais dão? Só porque todas as crianças têm? Não era um desejo dela, ela não precisava de uma bicicleta, era um desejo nosso.

Quantas vezes ‘entupimos’ nossos filhos de coisas que eles não precisam? Quantas vezes criamos necessidades desnecessárias para a vida deles? A resposta para estas perguntas pode estar no nosso passado, especificamente, na infância que não tivemos: Queremos dar aos nossos filhos, aquilo que não tivemos e queremos que sejam aquilo que não conseguimos ser.

Nós projetamos em nossas crianças, nossas frustrações da vida: projetamos nossas privações da infância, quando queremos dar a elas aquilo que elas não precisam e não querem; projetamos nossos desejos e sonhos quando queremos que elas sejam e se tornem o que não conseguimos nos tornar e por fim, projetamos nossas necessidades afetivas quando cobramos delas em demasia, um amor que não nos foi dado ou construído na nossa relação com nossos pais.

É hora de parar. Chega de querer que nossos filhos vivam a vida que não vivemos e a infância que não tivemos. E sempre que formos oferecer algo para eles, devemos refletir: O ‘melhor’ que eu acredito que estou oferecendo, é o melhor que eles querem e precisam no momento?

Ah! Só uma pergunta: Já pensou no presente que irão oferecer aos seus filhos neste dia das crianças? Vai aqui uma dica “certeira”: Gaste mais tempo e menos dinheiro com eles, pois com o passar dos anos, a tendência é que esqueçam os presentes que ganharam, mas jamais se esquecerão dos momentos dedicados a eles.

E Neste tempo em que tudo na nossa vida é com muita ‘correria’, dedicar tempo aos nossos filhos é a maior prova de amor que podemos dar a alguém. Não existe presente melhor.

Feliz dia das crianças!!!

Adriana de Azevedo –:

Psicóloga – CRP 3276/16 –

Coach Educadora parental –

Palestrante

Tel 27 99812 2283

Email: [email protected]

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