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Colunistas Guerreira

Dr. Fabrício: Quando uma guerreira morre esquecida e vira nome de rua

Ela não se intimidou ao se deparar com o corpo do marido...

03/01/2018 07h07
Por: Redação
Dr. Fabrício: Quando uma guerreira morre esquecida e vira nome de rua

Maria Francisca da Conceição, natural do Pajeú, Flores-PE, nossa personagem em foco, participou ativamente  da guerra do Paraguai, o maior e mais sangrento conflito armado da América do Sul, que envolveu de um lado, o nosso vizinho Paraguai e do outro, aliados, o Império Brasileiro, Argentina e Uruguai. Nossa heroína muito jovem, porém já casada com um sertanejo convocado forçadamente pelo Exército brasileiro para participar da guerra.
Com a convocação do amado  marido para formar fileiras e seguir para o campo de batalhas, a sertaneja não teve dúvidas:  decide acompanha-lo a todo custo. Nesta época, as forças armadas brasileiras não aceitavam a participação de mulheres em combate; Então, no dia do enfrentamento em campo de batalha,  Maria se disfarça de homem, corta os cabelos bem curtos, consegue um uniforme, um quepe e infiltra-se no meio da  tropa, seguindo o marido na batalha de Curupaiti.
Durante o enfrentamento, mesmo sem dispor de armas até aquele momento,  Maria acompanha o batalhão e quando o primeiro soldado cai  morto ao seu lado, nossa Heroína toma-lhe a baioneta, a cartucheira e segue acompanhando a infantaria.
Em meio ao combate, Maria percebe que seu amado esposo também havia sucumbido, caiu morto. A pajeúzeira, mesmo fraquejada com o coração dilacerado pela perda de seu amado, não desiste e continua em combate, até ser ferida em batalha por um soldado paraguaio. Ao ser levada ao hospital de campanha, descobrem que o franzino e tão  corajoso soldado, na verdade era uma mulher. 
A Guerreira sobrevive aos ferimentos, e por seus atos de bravura, foi apelidada pelos companheiros de caserna de MARIA CURUPAITI, nome que foi dado ao 42° batalhão de voluntários da Pátria, surgia uma heroína, e foi assim que o nome da mulher sertaneja, brilhou no maior conflito armado do cone sul.
Nossa personagem, pelos registros, participou também da  II Batalha de Tuiuti, em novembro de 1867, o que significa que ela não abandonou o Exército após o ferimento em 1866.
Apesar de se reconhecida pelos companheiros de farda como uma verdadeira  heroína, Maria Curupaiti, nunca foi recompensada ou  sequer ganhou uma medalha do governo brasileiro. Morreu na miséria,  na década de 1930, totalmente esquecida, pedindo esmolas na cidade do Rio de Janeiro, assim como vários outros heróis do povo brasileiro, acabou virando nome de Rua em São Paulo.
A guerra do Paraguai de 1864 a 1870, foi o conflito mais sangrento da América do Sul, dos 160.000 soldados brasileiros que participaram do conflito, 50.000 morreram, estima-se que durante os anos de guerra, 75% ( setenta e cinco por cento) da população paraguaia tenha sido dizimada, sem mencionar as perdas Argentinas e Uruguaias, um verdadeiro genocídio!

Fabrício Lucindo Lima é delegado de Polícia Civil

Nota: A Rua Maria Curupaiti fica localizada no bairro de Vila Ester, Zona Norte da cidade de São - Paulo SP.

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