Colunistas

Géssica Belique : Feliz Dia do Advogado! Feliz Advocacia!

Postando em: 4886

“Aprendi que o advogado é essencial à administração da justiça. Já li em muitos adesivos de carros que “sem advogado, não há justiça”. Mas, de que justiça está-se falando? Num primeiro momento, me parece que está-se falando da justiça que se confunde com o Poder Judiciário, com a “máquina pública” que opera para julgar conflitos, para conhecer de assuntos socialmente relevantes, enfim, com o sistema jurídico posto para dirimir as questões que a ele são levadas.
Todavia, essa palavra “justiça” não me deixa quieta e me instiga a ir além, a ver mais adiante, quase que numa tentativa de enxergar um outro mundo, onde supostamente residiria a absoluta verdade sobre o que é Justiça, esta sim, agora, com J maiúsculo, que parece pertencer apenas ao plano divino, porque pura demais para ser fruto do homem corrompido pelo poder.
Pessoas de todos os tempos, ao longo dos séculos, se dedicaram ao estudo da Justiça e da justiça. Isso mesmo: da Justiça com J maiúsculo e da justiça com j minúsculo. Faço questão de entendê-las diferentemente, embora eu seja incapaz, por ora, de sustentar as minhas razões mais profundas para tanto. A Justiça me encanta mais do que a justiça, porque a primeira se apresenta dotada de sublimidade, de elevação moral e ética, além de elegância, sabedoria e amor. A justiça, com a qual eu lido cotidianamente, me pesa os lombos, porque é árdua, morosa, rude... Muitos de seus agentes estão corrompidos; preguiçosos e desleixados, já não trabalham com zelo; sem ética, mancham a sua imagem; infelizes, tratam com indiferença quem deles precisa; com egos inflados, atrapalham os jurisdicionados... Não, não quero apontar a trave que está no olho do outro apenas!
Quero enxergar a minha própria trave também. Afinal de contas, eu faço parte dessa justiça, enquanto advogada. Confesso que, por motivo não muito claro, eu tenho a esperança – utópica, talvez – de que é possível alcançar a Justiça por meio da justiça. Pode ser por causa da minha fé na presença do divino dentre os homens ou pode ser até porque eu tenha fé no próprio homem, ainda... Não me esqueço, outrossim, da ideia de que a mudança deve começar por quem a almeja.
Esse “clichê” me convoca a uma posição semelhante a daquelas formigas das fábulas – igualmente clichê, mas simbolicamente positiva –, que diligentemente trabalham em favor de si mesmas e do grupo a que pertencem, ainda que sozinhas. Portanto, nesse mês em que se comemora o dia do advogado, lanço o convite aos meus colegas de profissão a buscarem a Justiça pela justiça, mesmo que isso nos assemelhe às formigas míticas: aparentemente irrelevantes em sua pequenez, mas só aparentemente!”. Texto postado na íntegra.
Géssica Belique é advogada, professora e pós-graduanda em Filosofia e Teoria do Direito pela PUC-Minas.