Colunistas

Como? Zenilton fala de uma união surpreendente entre dois políticos

Postada em: 3274

Tente imaginar uma aliança política improvável em Linhares, daquelas que unem adversários não apenas tradicionais, mas, aparentemente, sem nenhuma afinidade ideológica ou mesmo social. Daquelas, que colocam arquirrivais de mãos dadas, em uma mesma trincheira.
Pois movimentos recentes, indicam que o ex-prefeito Guerino Zanon (PMDB) e o deputado Luiz Durão (PDT), que sempre ocuparam posições opostas no intrincado e acirrado jogo político local, decidiram unir forças para tentar conquistar a vitória nas eleições de outubro.
Luiz abriria mão de sua candidatura colocando seu partido, o PDT, do qual é presidente municipal, aos serviços dos interesses de Guerino e, em troca, ganharia uma cadeira na Assembleia Legislativa que, inclusive, já está ocupando. Surpresos? Besteira.
Em política, como bem disse Nicolau Maquiavel, fundador do pensamento e da ciência política moderna, “os adversários de hoje, são os aliados de amanhã”. Ou seja, quando o assunto é poder, não há meio termo: monta- se no cavalo arriado ou é atropelado por ele.
A encenação
Se esta leitura estiver correta- e sobre isso só o tempo dirá-, não seria leviano imaginar que Luiz Durão, ao anunciar sua pré-candidatura para prefeito de Linhares nas eleições de outubro, tenha apenas ensaiado um jogo de cena, ou seja, protagonizado uma encenação teatral para valorizar seu passe em uma futura negociação, manobra comum no universo político em períodos eleitorais.
Algo parecido com os truques dos mágicos: desvia a atenção do público para um lado e, do outro, saca um coelho da cartola.
O rompimento
Mas vamos tentar entender quais os fatores que teriam conduzido a este suposto e inusitado desfecho: Como todo linharense sabe, Luiz Durão foi candidato a deputado no último pleito e, com 20. 969 votos conquistados, não conseguiu se eleger, ficando na suplência. Mas a derrota, além de ter abalado o prestígio político de Durão, também consolidou seu rompimento com seu mais histórico aliado, o prefeito Nozinho Correa, acusado de não ter se empenhado em sua campanha.
Já amigos de Nozinho, argumentam que o PDT, partido que sustentou sua candidatura para prefeito e que é presidido por Luiz, o teria abandonado em pleno campo de batalha, em 2012. Inconformado, Luiz cortou qualquer possibilidade de Nozinho tentar se reeleger pelo partido, anunciando que ele é que seria o candidato a prefeito pelo PDT.
Mais tempo na TV
A situação acabou se encaixando como uma luva no projeto de reconstrução da base aliada de Guerino, que nos últimos anos viu vários partidos, ex-aliados, lhes escaparem pelos dedos ( PSDB, PPS, PSB, PR, PSC e PP). Ao buscar o apoio do PDT, o ex-prefeito, dono de um considerável capital político, não teria visado apenas o apoio de Luiz mas, principalmente, garantir a maior fatia de tempo no horário destinado à propaganda eleitoral na televisão. Vale lembrar que este ano, o período destinado à campanha é de apenas 45 dias (e não 90, como antes), o que transforma o tempo na televisão em uma vantagem poderosa.
Quando os diferentes se atraem
Mas como foi costurada esta união? Vamos tentar decifrar este enigma: Eu imagino que, com seus 20.969 votos conquistados em 2014 e a legenda do PDT debaixo dos braços, Luiz Durão, prestes a completar 70 anos de idade e com sérios problemas de saúde, teria preferido o ambiente aconchegante da Assembleia Legislativa do que se aventurar em uma improvável e desgastante disputa eleitoral. O acordo para que Durão assumisse a vaga, parece óbvio, teria sido costurado em parceria com o governador Paulo Hartung, que removeu o deputado Rodrigo Coelho para a Secretaria de Assistência Social e Política para Mulheres, abrindo espaço para o linharense. Se a interpretação- que não é minha, mas quase um consenso entre quem estão de olho nos bastidores- estiver correta, Luiz Durão não será mais candidato a prefeito de Linhares e Guerino Zanon se torna ainda mais competitivo, pois terá mais tempo para usar o programa eleitoral gratuito na TV.
Se Guerino conseguir também o apoio do PT, o que com certeza deve estar buscando, pois trata- se de um dos partidos com maior tempo na televisão, os adversários de Guerino terão que adotar o padrão Enéas (“Meu nome é Enéas”) na campanha. Mas porque o ex-prefeito, aos 61 anos de idade, estaria tão empenhado em desidratar seus concorrentes? Quem ele teme afinal?
Zenilton Custódio é jornalista. As partes citadas, caso desejarem, podem se manifestar através do nosso e-mail [email protected]