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Zenilton Custódio e a crônica da lama

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Antes que você comece a ler o texto, considero prudente informar- lhe que trata- se de uma crônica (como diz o título) e não de uma notícia. Uma crônica, com foco no comportamento de indiferença da classe política em relação às questões ambientais; e também na hipocrisia da sociedade sobe o mesmo tema. Eles, os políticos, só entram em cena, se enxergarem na situação uma oportunidade de fazer bons negócios. Nós, para curtir o espetáculo. Portanto, boa leitura.
Rio Bom, é rio morto. Dizem que depois da tempestade, vem a bonança. No caso da tragédia do Rio Doce, eu tenho até medo de pensar no que vem depois da lama que irá inundar a foz do manancial.
Não estou falando das consequências ambientais, mas do provável lamaçal onde nossa classe política deverá chafurdar para tirar o melhor proveito pessoal da situação. Podem até dizer que estou sendo leviano por insinuar que vem maracutaia das grandes por aí. Mas não sejamos hipócritas.
Nossa classe política conservadora sempre considerou esta preocupação com o meio ambiente como coisa de boiola e maconheiro. Para ela, sejamos francos, rio bom, é rio morto, pois quem teria interesse em um rio saudável, além da população?
Um rio só interessa aos políticos, se estiver muito doente. Por isso, ao despejar sua lama nas águas do manancial, as centenas de empresas que mantêm suas operações perigosamente posicionadas no entorno do Rio Doce, como armadilhas prontas a serem acionadas a qualquer momento, premiaram a classe política que as sustenta com um suculento Natal.
De quanto será a indenização? Quanto vou levar nessa história? De quanto será a multa? Vai entrar algum no meu bolso? Quero mais, pois no meu município morreram milhões de peixes... E, aqui pra nós: quando os holofotes da mídia se apagarem e ninguém estiver mais nos observando, nós, a população, vamos continuar torturando este rio nojento com nossos esgotos, nossos lixos e com tudo de ruim que tivermos para atirar contra ele.
Rio Doce, continue sua agonizante, silenciosa e solitária jornada em direção à morte e nos deixe em paz.
Zenilton Custódio é jornalista