A Via Norte acaba de adquirir, através de financiamento bancário, quatro ônibus novos para reforçar a frota de Linhares, no Norte do Espírito Santo. O investimento ultrapassa R$ 3 milhões. Cada veículo, conforme apuramos junto à empresa, teve um custo de cerca de R$ 800 mil.
Com a iniciativa, a frota chegou a 50 carros climatizados no sistema municipal e, com esse número, Linhares chega a 90% da frota titular com ar refrigerado, algo inédito no Estado. Na Grande Vitória, cerca de 50% dos ônibus do sistema Transcol têm ar condicionado. No sul do Estado, em Cachoeiro de Itapemirim, apenas 25% da frota possui ar condicionado.
Apesar do significativo investimento, segundo a direção da empresa, a atual equação financeira do sistema não se sustenta. “A combinação entre a queda expressiva de passageiros pagantes, em torno de 41% desde a pandemia, e o aumento das gratuidades, que chegou a 1 milhão de giros de catraca em 2025, sem a devida compensação, gera um déficit crescente, que ameaça a capacidade de investimento, a manutenção da frota, a regularidade das linhas e a qualidade do serviço prestado à população”, explicou um integrante da Diretoria.
Ainda segundo a Via Norte, para oferecer toda essa estrutura e um serviço de excelência, a empresa precisa ser devidamente remunerada, o que não ocorre em virtude da tarifa atual estar muito defasada e, portanto, não cobrir os custos da operação.
A empresa explica ainda que os veículos climatizados aumentam as despesas, já que exigem maior quantidade de diesel por viagem, tendo em vista que para manter a cabine resfriada, o motor precisa realizar um esforço extra, o que resulta em um aumento no consumo de diesel que pode variar de 20% a 25% em comparação aos modelos que utilizam apenas ventilação natural.
“O transporte público é um serviço público essencial e constitucional, e sua deterioração impacta diretamente trabalhadores, estudantes, idosos, pessoas com deficiência e toda a cadeia produtiva local. É fundamental que haja diálogo entre o poder público, operadores, órgãos de controle e a sociedade civil para a construção de soluções sustentáveis, que garantam o direito à mobilidade urbana e a continuidade do serviço de forma eficiente, segura e financeiramente viável”, afirmou a direção.
Um economista consultado pelo Eu Vi em Linhares, considerou que “Empresas de ônibus, trens e metrôs não são instituições beneficentes. Elas devem lucrar, afinal, são negócios, geram empregos, pagam impostos e têm riscos como assaltos, incêndios nos coletivos, acidentes, necessidades de investimentos. Esse lucro deve ser justo, transparente e honesto”. Clique aqui para comentar e seguir o @euviemlinhares.