Toda vez que o delegado Fabrício Lucindo Lima escreve, a atenção do leitor fica literalmente presa, pois, do começo ao fim do texto é impossível deixar que alguma coisa nos atrapalhe. Leiam abaixo mais uma:
Caros amigos leitores, nessa última semana do mês de março, um período turbulento para segurança pública em nossa região e acompanhando as matérias jornalísticas no início da semana, referendadas pela opinião do povo, parece-nos que o problema, segurança pública, não tem solução. Mas, de quando em vez, surge alguém com uma ideia milagrosa que irá resolver todos os nossos problemas, de uma vez.
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Não sei se os senhores(as) perceberam, nos últimos 04 anos, começou a aflorar em nosso pais, um movimento que se intitulava “intervenção militar já”. Esse movimento, apesar de ilegal e contrário ao que está delimitado a nossa Constituição Republicana, ganhou força em nossa sociedade.
Um movimento como esse, tão grande, só pode revelar uma coisa: nós não somos democraticamente maduros o suficiente, para resolvermos os nossos problemas republicanos, precisamos ser tutelados por forças militares. Como se eles, que também são frutos dessa mesma sociedade, pudessem resolve-los.
Outra novidade dos últimos anos foi o projeto, “Escola Cívico-Militar”. Todos nós sabemos que o nosso sistema educacional público deixa muito a desejar em alguns quesitos, mas em outros estamos até bem avançados. Porém, para resolver todos os problemas da educação pública, criaram o projeto da “Escola Cívico-Militar”, que, basicamente, funciona da seguinte forma:
Um policial militar da reserva é nomeado, para atuar dentro do ambiente educacional, uma escola, com objetivo de colocar ordem na casa, trazendo os sentidos de civismos, ordem, hierarquia, disciplina, nacionalismo, amor a pátria e a família.
Como eles, os que criaram o projeto, entendem que o sistema educacional, formado por profissionais capacitados e preparados, não consegue resolver seus próprios problemas sozinhos, colocam alguém para tutelar as relações, quase como um interventor educacional. Provavelmente o policial militar nomeado, não entenda nada, ou quase nada de educação para crianças e adolescente. Não é a praia dele.
Aproveitando essa onda de intervencionismo, eu também tenho um projeto, e esse vai acabar de vez com todos os nossos problemas educacionais e de segurança. Meu projeto conjuga todos os outros projetos anteriores, em apenas um: “Família Cívico-Militar”.
Está claro para todos nós que o instituto família, de uma forma genérica, independente de classe social, está moralmente deteriorado. As crianças não obedecem mais aos pais, não querem frequentar a escola, estão usando drogas e entrando na criminalidade cada vez mais cedo, os pais estão perdendo totalmente o controle sobre seus filhos.
O projeto “Família Cívico-Militar”, de minha autoria, é bem simples e eficaz, em cada residência familiar, no campo ou na cidade, não importando a classe social, dos mais humildes, aos mais ricos: Todos terão introduzidos em seu seio familiar, um Policial Militar, Policial Civil, ou Guarda Municipal, todos da reserva ou aposentados e eles irão morar com as famílias, 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Esse Policial será um interventor familiar, que irá cuidar da moral e dos bons costumes familiar, com noções de hierarquia e disciplina, aconselhamento do casal e outras funções preventivas, como por exemplo: evitar que os membros da família, entrem no mundo crime, que façam uso de material entorpecente, evitar que desobedeçam as leis do trânsito, que dirijam embriagados e outros.
O grande problema desse projeto é, será que os citados policiais, nascidos e criados na nossa mesma sociedade, com a mesma formação familiar média, iria realmente acrescentar algo de tão relevante às famílias de nossa terra?
E se realmente tiverem algo a somar, eles estarão cuidando da família dos outros, quem iria cuidar das deles? O texto é uma criação de minha cabeça, o projeto não existe, é só para que nós façamos uma reflexão sobre essa nossa necessidade incontida de invenção policial, em todos os nossos problemas cotidianos.
*Fabrício Lucindo Lima é delegado-chefe da 16ª Regional.