Num julgamento que começou às 9 e terminou minutos antes das 15h, no Fórum de Linhares, os jurados condenaram o réu José Carlos Gomes de Souza, o Neguinho, nesta segunda-feira (6). O crime foi contra a ex dele, Maria Aparecida Queiroz Conceição de Souza, 43 anos, morta a golpes de faca. O casal manteve convivência por mais de 20 anos, e teve três filhos. Uma medida protetiva de urgência que a vítima conseguiu 2 meses antes da tragédia, não impediu que o homem invadisse a casa e matasse a ex, no dia 8 de março de de 2017, Dia Internacional da Mulher.
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Qualificações - A sentença sobre o julgamento, lida pelo Juiz da 1ª Vara, Tiago Camata, mostrou o resultado: o réu foi condenado a um "cadeião" por feminicídio consumado com quatro qualificadoras, e elas são: motivo fútil, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio.
Uma causa aumentou a pena: O crime foi cometido em descumprimento das medidas protetivas. O magistrado fixou a pena definitiva em 40 anos de reclusão, em regime inicial fechado.
O réu respondia ao processo em liberdade, e teve a prisão decretada em Plenário. O mandado de prisão foi cumprido imediatamente pela Polícia Militar, ou seja, ele foi para a cadeia.
Na acusação, o representante do Ministério Público foi o Promotora de Justiça Claudeval França Quintiliano, e a defesa do réu ficou a cargo da advogada Sandra Jorgina Carlesso.
Confira abaixo detalhes que o leitor Rafael Conceição de Souza, 21 anos, filho da vítima e do réu, nos forneceu sobre a véspera da tragédia na família, bem como nos momentos finais da mãe dele, nos minutos que antecederam o crime:
A despedida - Rafael detalhou sobre a véspera da tragédia. "Durante o dia eu e minha mãe fomos ao Centro receber meu benefício, e tivemos como se fosse uma despedida. Compramos uma muda de roupa pra ela, coisa rara de acontecer, pois ela sempre pensava nos filhos e nunca nela. Depois fomos comer um espetinho, e em seguida para casa".
A noite que antecedeu a tragédia - "Neste dia, na parte da noite, prossegue Rafael, ela pediu pra tirar uma foto dela, ela estava muito feliz, pois não estava mais sendo agredida pelo meu pai, que havia saído de casa por ordem judicial. Tirei fotos dela e fomos dormir. A gente dormia na parte de cima da casa, todos juntos, por medo do meu pai voltar e fazer algo. Dormíamos em colchões no chão, no mesmo cômodo, tudo isso por medo dele".
O dia da tragédia - "No dia da tragédia, eu acordei por volta das 5h30, me arrumei para ir a escola onde fazia o Ensino Médio, ali mesmo no bairro, e quando fiquei pronto me despedi da minha mãe. Pedi benção e desejei um feliz Dia Internacional da Mulher pra ela".
"Ela me respondeu com 'Deus te abençoe, meu filho', e falou que também iria descer a escada pra casa de baixo para fazer o café para a minha irmã menor que estava dormindo. Nisso, eu fui para a escola. Logo em seguida que virei as costas, o meu pai pulou o muro da vizinha e foi praticar o crime".
"Minha mãe colocou a água do café no fogo, e foi ao banheiro escovar os dentes. Enquanto estava no banheiro, foi surpreendida a golpes de faca. Saiu sentido a varanda pedindo socorro, e ele a golpeando", conta o filho.