Economia Greve do busão
Ônibus: “Será que os aplicativos vão transportar idosos e deficientes de graça?”, questiona Zé Geraldo
E os ônibus têm até elevador para cadeirantes. José Geraldo Giovani é representante do movimento das pessoas com deficiência, através da Adefil; e acrescentou outras pessoas que viajam sem pagar passagem.
30/08/2022 22h15 Atualizada há 4 anos
Por: Redação

Foram por algumas horas, mas nesta terça-feira (30) Linhares sentiu “na pele” o que é ficar sem transporte coletivo, após o Sindnorte, Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros do Norte do Estado do Espírito Santo, colocar em prática o estado de greve que prevaleceu até por volta das 11h. O assunto foi um dos mais comentados na cidade, e o motivo, conforme nos adiantaram as partes no dia anterior: a empresa que presta o serviço de transporte coletivo não conseguiu efetuar o adiantamento salarial vencido no último dia 21 de agosto.

 

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Por volta das 11h foi emitida a seguinte nota: “A Viação Joana D´Arc de Linhares informa que após negociação entre o Setpes, que representa a empresa, e o Sindnorte/ES, que representa os motoristas, os ônibus voltaram a circular normalmente nesta terça-feira (30), a partir das 10h30”.

“Será que os aplicativos vão transportar idosos e deficientes de graça?”. A pergunta, que abrangeu outras categorias beneficiadas pela gratuidade das passagens, foi exposta na rede social por José Geraldo Giovani, representante do movimento das pessoas com deficiência, através da Adefil; e ele explanou ainda mais a situação quando conversou com o Eu Vi em Linhares. Leia primeiro o que ele postou na sua conta, no Facebook: 

“Hoje a população de Linhares amanheceu sem ônibus devido a uma greve dos motoristas e cobradores, devido atraso no pagamento. Justo a reivindicação dos trabalhadores, porque quem trabalha precisa receber. 

A empresa, como as demais pelo Brasil, passa por um momento delicado, as receitas não estão dando para cobrir as despesas, e ai vem a pergunta: será que a população vai reconhecer que uma cidade não pode sobreviver sem transporte público? 

Hoje o transporte público enfrenta uma concorrência desleal, e será que amanhã elas fechando as portas os aplicativos vão transportar idosos e deficientes de graças? 

Como vão ficar as crianças com deficiência que precisam ir para escola, ao médico? Os idosos que precisam cumprir suas obrigações? Vamos ter uma população de reclusos dentro de casa, uma população de pessoas doentes, depressivas porque não vão conseguir sair de casa, e isso tudo é muito triste.

Valorizamos o pouco que temos antes que seja tarde”.

E José Geraldo foi ainda além ao falar sobre o assunto com a nossa Redação: ele lembrou os elevadores para os cadeirantes nos coletivos, as crianças e adolescentes e seus acompanhantes para irem estudar na Pestalozzi; e profissionais e estudantes, entre outros inclusos na lista da gratuidade. 

Especificamente voltando a falar sobre os deficientes, de acordo com José Geraldo, hoje são 3.500 pessoas com acesso à gratuidade, através do passe livre, pessoas estas com deficiência entre físico, auditivo, visual e mental.

Subsídio – “Nem quero imaginar o que seria dessas pessoas, e Linhares em geral, se a empresa fechar as portas. O subsidio reivindicado, não seria nenhuma despesa extra, mas uma contrapartida para que o município tenha um transporte público de qualidade. Alguém parou para pensar que, o diesel usado nos ônibus é o combustível que não teve redução de preço?”, indaga, ao mencionar também os gastos e a problemática pós-pandemia.