Educação Quem responde?
As escolas da rede pública estão preparadas para receber crianças e adolescentes com necessidades especiais?
A pergunta importantíssima vem da colunista Ketully Fernandes, que vive na pele a situação, literalmente.
12/02/2022 10h01
Por: Redação

*Por Ketully Fernandes

A luta dos pais ou responsáveis por uma criança ou adolescente com necessidades especiais é gigantesca. Além de especialidades médicas, vêm ainda as terapias que são rotineiras na vida de um PCD. A preocupação desse responsável aumenta com o retorno das aulas, isso porque há uma insegurança se as escolas e funcionários estão preparados para recepcionar essas crianças e adolescentes.

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Vou deixar uma pergunta para os pais dessas crianças refletirem: Você já parou para pensar se, antes do ano letivo se iniciar, os professores, pedagogos, coordenadores e estagiários (monitores de apoio) recebem alguma capacitação para, ao menos, aprenderem a lidar com as crises de ansiedade e sensoriais? E no caso das crianças ou adolescentes que usam fraldas, onde e como são realizadas as trocas das fraldas? Existe um fraldário na escola do seu filho (a)?

Conforme previsto na Constituição Federal Brasileira em seu artigo 208, é dever do Estado promover amparo educacional especializado às pessoas com deficiência, principalmente na rede regular de ensino.

De acordo com o último censo demográfico realizado pelo IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2010, cerca de 46,5 milhões de brasileiros vivem a experiência de pelo menos um tipo de deficiência. No entanto, apesar das inúmeras disposições legais que ressaltam a importância e asseguram os direitos educacionais das pessoas com deficiência no país, a acessibilidade e inclusão dessas crianças e adolescentes nas escolas pública do Brasil são bem precárias.

Que fique bem claro: Incluir vai muito além de matricular e receber a criança na escola. Inclusão é capacitar os profissionais para entender e compreender o aluno, e é de suma obrigação da escola realizar todas as adaptações adequadas para essas crianças, sem nenhuma cobrança adicional e financeira, isso na escola de rede pública. Já a responsabilidade de averiguar e exigir esses direitos dessa criança é da família.

*Ketully Fernandes (@ketully.fernandes) é formada em Pedagogia e pós graduada em Alfabetização e Letramento. É cristã, casada, dona de casa, autista e mãe de autista portadora de mielomeningocele.