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Áudio: "Nóis qué o Tomate", diz suposto chefe de facção após tiros no Residencial Rio Doce

O áudio seria para "tranquilizar" os moradores das chamadas Casinhas do Aviso.

05/06/2019 09h14
Por: Redação
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Uma ocorrência policial registrada na tarde desta terça-feira (4) no Residencial Rio Doce, bairro Aviso, deixou os moradores em pânico e em clima de insegurança.

Conforme detalhes enviados para a nossa Redação, juntamente com vídeos, cujas imagens mostram um jovem com fratura exposta nas pernas, e agonizando, a vítima foi levada para um hospital da cidade em um carro de cor escura, após um homem não suportar ver o rapaz sofrendo no chão. O baleado gritou de dor quando foi colocado no colo e levado para o carro. Em decorrência das imagens muito fortes, não publicaremos os vídeos.

Clima de medo

Um grande grupo de pessoas em volta da vítima, e após o socorro ao rapaz, veio o medo. Aliás, muito medo. Uma mulher em desespero, disse, inclusive, que vai desistir do sonho da casa própria após ter conseguido sair do aluguel.

Leia também - Tiros: Jovem agoniza com fratura exposta no Residencial Rio Doce

E o assunto sobre os tiros e o jovem ferido se estendeu até a noite, aliás, a madrugada, quando um suposto chefe de facção tentou tranquilizar os moradores através de um áudio que chegou a um grupo no WhatsApp composto por moradores do residencial.

O que diz o áudio

No áudio, a voz masculina tenta tranquilizar os moradores, mas deixa claro que a ação terá uma reação, e que o alvo é uma pessoa que atende pelo apelido de Tomate, e todos que fazem parte do grupo dele.

A voz, gravada e enviada para o grupo na madrugada desta quarta-feira (5), diz (usaremos as palavras na íntegra): "nóis qué pedi vocês aí paciência e calma. podi ficá tranquilo".

Em seguida o áudio afirma que foi "covardia" o que fizeram com o rapaz baleado, e que os moradores podem andar tranquilos que serão tratados superbem. "Nosso problema é com o Tomate, e quem pegou o bonde dele. Hoje fomos atrás para matar ele", diz a voz, lamentando em seguida não ter encontrado o alvo.

E o suposto chefe afirma que ele e seu grupo não vão sossegar até pegar o tal Tomate. Também diz que "o moleque", que é a pessoa baleada, tem uma filha pequena e só estava no local para ganhar dinheiro, com a venda de droga para o autor do áudio.

"O bagulho é doido", prossegue o áudio, reafirmando que o grupo "é da paz" e não mexe com quem faz nada com com ele. Também é citado que o ocorrido (ele refere-se a um tiroteio) foi uma amostra, e que capsulas .40 no chão são provas da potência do grupo que vai vingar os ferimentos contra o rapaz baleado ontem (4).

"Vamos lutar até o fim, morrer aí dentro, se for preciso, mas enquanto Tomate e os meninos que andam com Tomate mortos, não vamos sossegar. Não somos um, dois, três ladrões não. Nossa família tem mais de 100 homens. Fiquem na paz aí, boa madrugada. Estamos aqui perto e vamos ficar aqui perto. Vamos esperar Tomate, temos bala para trocar dia e noite.", concluiu o áudio.

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