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O que gera riquezas é o trabalho, diz delegado

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Caros amigos leitores, vocês já perceberam um fenômeno estranhíssimo que surgiu nos últimos tempos em nossa pobre sociedade, a guerra totalmente despida de fundamentação razoável entre esquerdistas e direitistas. Não sei se vocês já perceberam, tem pessoas entrando em atrito umas com as outras, mas... em muitos casos, não sabe nem o que significa estar em um polo ou em outro. Bom, então eu gostaria de falar com vocês, um pouco sobre mim mesmo e sobre minha curta experiência nesta terra.

Quando eu era jovem, mais sonhador, romântico e idealista, confesso que sobraram alguns resquícios ainda... eu era de esquerda e socialista, sonhava com uma sociedade mais justa e menos desigual. Então eu conheci Cuba e alguns países do Leste Europeu, me aprofundei na história de algumas revoluções da esquerda comunista, União Soviética, China, Coréia do Norte, Vietnam (povo que tem uma história de luta e superação invejável) e outros. Então percebi que não era bem isso que eu sonhava, isso não era para mim,  pois apenas o  sistema, não controla a natureza individualista, corrupta e perversa do ser humano.

Daí conheci países de 1º mundo e verdadeiramente capitalistas e fiquei maravilhado,  concluí: - Eu sou capitalista camarada! Mas... o capitalismo de terceiro mundo tem uma mania besta de exploração alheia, não sei com quem aprenderam isso.... Mesmo sabendo que o capital não gera riquezas, o que gera riquezas é o trabalho, o capital explora desavergonhadamente o trabalho, e ainda se finge de bonzinho, diz que proporciona empregos, trabalho e riqueza e nós passamos décadas achando que isso é verdade. O capitalista de terceiro mundo tem um lábia meus amigos....convence muita gente.

Pois bem, eu era socialista, virei capitalista e me decepcionei novamente, a regra básica do capitalismo de terceiro mundo, que é o nosso caso, é o seguinte:  “ para ter um nobre, eu preciso de milhares  de servos”, para se ter um rico, o capitalismo necessita de milhares de pobres... em resumo, a matemática é cruel, não tem espaço para todos no topo e nem no meio da pirâmide.

Prosseguindo no raciocínio, percebi que, bem diferente de nós, nos países capitalistas de primeiro mundo, o bem comum é tão sólido e perceptível que  a direita de lá, parece a esquerda daqui. Você se espanta, com programas de assistência e inclusão social, moradia, transporte de qualidade, educação de primeira linha, saúde, conforto, emprego bem remunerado e estruturas solidas, nada ou quase nada abala a democracia, sai um governo de esquerda e entra um de direita, ou vice e versa e tudo, absolutamente tudo, continua funcionando perfeitamente, independente de quem esteja no poder.

Concluído nossa conversa de hoje, eu era socialista e de esquerda, virei capitalista de direita, então percebi que eu posso aproveitar os ideais de um lado e de outro, as boas prática de um lado e de outro. Eu não preciso ser o tempo todo de direita ou de esquerda, eu posso ser um capitalista socialista, ou um esquerdista de direita, um capitalista de esquerda e um socialista de direita, a depender do momento e do assunto e assim eu vou aprendendo a respeitar e conviver com as opiniões alheias.

Por Fabrício Lucindo Lima, delegado de Polícia Civil.