Fundação Renova
Fuscofobia

Preso escapa duas vezes, não para de falar e diz que tem 'fuscofobia'

a "patologia" foi citada por ele mesmo, quando questionado pela médica durante exames antes de seguir para a cela.

12/02/2019 06h49
Por: Redação
10.909

Caros leitores que sempre me acompanham, sempre tento passar para vocês, histórias do cotidiano, causos policiais e curiosidades interessantes e inusitadas. Pois bem, hoje irei falar sobre o caso de polícia, fato ocorrido nas montanhas Espírito-Santenses, mais precisamente em Santa Maria de Jetibá, a capital estadual das montanhas.

Era um dia como outro qualquer, em nossa movimentada delegacia de polícia, com ocorrências pipocando, Lei Maria de Penha, Furtos e crimes de menor potencial ofensivo, atendimentos à comunidade e tudo mais. Eis que chega uma viatura da Polícia Militar, conduzindo um preso, elemento que foi encontrado na Cidade, com mandado de prisão em aberto, para comprimento de uma pena de 11 meses de prisão, expedido por uma comarca no norte do Estado.

Até ai, nada demais, como parecia um caso simples, somente para condução do preso para o presídio em Viana e comunicações à Justiça, tudo transcorreu normalmente; Porém percebemos que o conduzido tinha um hábito estranho de falar sozinho e enquanto estava em nossa cela, esperando para ser transferido, estava muito agitado. Quando abrimos a cela para encaminhar o indivíduo para exames de lesões corporais de praxe, na primeira oportunidade, tentou fugir desesperadamente e foi agarrado pelos policiais no portão da delegacia que dá acesso à rua e foi algemado novamente.

Conduzimos o elemento para o Hospital da cidade, para realização dos exames; dentro do hospital, enquanto se preparava para ser consultado, fugiu novamente, desta vez, pelas ruas da cidade, sendo perseguido novamente pelos Policiais Civis e Militares. Depois de algum tempo, através de informações de populares, foi encontrado e novamente preso, apesar de já ter trocado de roupa e estar usando boné para disfarçar sua presença.

Algemado novamente, desta vez os pés e as mãos, o conduzido não parava de falar um minuto sequer e resistia com todas as suas forças para entrar no cofre da viatura. Foram necessários dois policiais para convencer o preso a entrar. Já dentro do cofre, mesmo algemado os pés e as mãos, não parava de se debater e de falar o tempo todo. Ao chegarmos novamente no Hospital da cidade para realização dos exames, no momento da consulta, uma médica muito atenciosa e jovem, pergunta para o preso: “O senhor tem algum problema grave de saúde? Alguma doença?” Ele respira profundamente e com os olhos fundos, responde em forma de desabafo: “ Eu tenho fuscofobia, Doutora.!”

Bom... os que estavam na sala, com certeza seguraram o riso praticamente incontido. Mais tarde, pensando sobre o assunto, concluí: Nosso preso já contava com bem mais de 50 anos de idade, com várias e incontáveis passagens pela Polícia, então, “elementar meu caro Watson”, a causa da doença fuscofobia e o medo de nossas antigas baratinhas, fuscas, veículos amplamente usados pelas forças policiais como viaturas, no final da década de 70 e início da década de 80.. Coisas que só acontecem comigo e com o glorioso Botafogo.

Colunista Fabrício Lucindo Lima, delegado de Polícia Civil.

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