Colunistas

P. Antunes: E a clandestinidade do transporte em Linhares?

Postada em: 13593

Por P. Antunes

Aqui em Linhares (onde sempre estou após desembarco no Aeroporto de Vitória) tem Uber, Brasil Go, 99, e mais de 200 mototáxis, mas trabalham na legalidade?

Observei e pesquisei e vi que tem a legislação municipal do mototáxi, mas nenhum cadastrado porque tem que ter alguns requisitos (idade da moto, pintura padronizada, curso específico, idade mínima do condutor, pagar uma taxinha, etc).

E os aplicativos? Também estão aqui, mas não têm previsão legal na legislação municipal (exigência sine qua non em lei federal).

Vamos ver então: Na clandestinidade ninguém paga imposto federal, estadual ou municipal. Mas, sendo assim, e se tiver acidente? Estariam todos lascados?

E as empresas de ônibus? Também dei uma pesquisada e vi que têm mais de 500 empregados e pagam todos os impostos, tributos e taxas e emolumentos, da terra e da lua, e sempre tem que comparecer ao juizado especial porque o cobrador "emitiu gás através do ânus" ou o motorista necessitou frenar bruscamente para não atropelar uma criança atrás da bola ou o ciclista na contramão e o passageiro teve um "baque" que deixou um roxinho no cotovelo, portanto requer uma indenização por danos morais de 30 salários mínimos.

Sem falar que não tem honorários de sucumbência, taxas, nadinha, nadinha. Se o barro não colar na parede fica por isso mesmo !

Mas, e o clandestino? Carrega menor de 05 anos gratuitamente? E o de 65 anos em diante? E o policial civil, militar e bombeiro? E os fiscais da Prefeitura? Dá desconto de 50% para estudantes? E a pessoa com deficiência viaja de graça no clandestino?

Quem se habilita responder?

Pesquisei e, a resposta é “não” para todas as perguntas.

Já as concessionárias, hem? E lá vem a minha pesquisa: Em 12 meses são 1.500.000 giros de catraca de graça. Fora as evasões de receitas.

Sabiam que tem grávida que não passa na catraca mas se senta e fica com aquela cara de pau...não paga a tarifa se não for alertada? Óleo de peroba na cara dela, pois, claro, outros usuários têm que arcar, né?

Ah, e os puladores de roleta? Quantos por dia? 100, 200, 300? E quantos assaltos por mês? Será que pensam nisso antes de criticar as empresas de ônibus?

Escrevi tudo isso depois que li comentários acusadores, sem que a pessoa pense antes de escrever, e, repito a pergunta: Será que essas pessoas pensam nisso antes de criticarem as empresas de ônibus?

A resposta, claro, sem querer julgar, é “não”.

É o fim do mundo! Sobe o diesel, sobe o preço do pneu, sobe os chassis e a carroceria, sobe o salário dos rodoviários. Mas se sobe a tarifa para equilibrar receita x despesa das empresas de ônibus parece que o mundo vai desabar. Pimenta nos olhos dos outros é refresco, não é mesmo?

É, leitores. Exatamente por conta dessas coisinhas que somente 30% dos municípios brasileiros têm transporte coletivo intramunicipal, isto, segundo pesquisa do Ibope.

Durma com um barulho desses. Como sobreviver a este estado de coisas?

Daí vem o lidão: “Transporte público no Brasil: Ou muda, ou acaba!”.

*P. Antunes é empresário.