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Delegado cita Bíblia e mostra que homossexualismo existia nos meios sociais dos povos da antiguidade

"Dizem que a primeira vez que apareceu algo escrito, contrariando a prática da homossexualidade foi o livro de Levíticos", menciona colunista

13/10/2018 07h35
Por: Redação
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Abaixo, o delegado Fabrício Lucindo Lima, escreve sobre um dos assuntos mais polêmicos (e que gera inúmeros processos) na atualidade: O relacionamento homoafetivo. Leiam:

Hoje gostaria de falar com vocês sobre um tema que vem tomando cada vez  mais corpo, principalmente nas manchetes criminais dos meios de comunicação e dos registros das delegacias de polícia, homofobia. Bom, mas de onde vem esse preconceito? Para responder essa pergunta, gostaria de tratar do assunto  apenas de maneira histórica e sociológica.

Bom meus amigos, nos meios sociais dos povos da antiguidade, ninguém se preocupava com a homossexualidade, aliás era uma pratica muito comum o relacionamento sexual entre dois homens ou duas mulheres. Grandes personagens da história antiga por exemplo, eram casados e mantinham relacionamentos  homossexuais com outros homens. Durante campanhas militares e serviços militares que duravam anos, era comum o relacionamento sexual entre homens. Pérsia, Roma, Egito e Grécia, povos que no seu tempo, dominaram o cenário ocidental mundial, admitiam a homossexualidade de forma cotidiana. Não havia nada nos ordenamos jurídicos que proibisse tal prática.

Dizem que a primeira vez que apareceu algo escrito, contrariando a prática da homossexualidade foi o livro de Levíticos"Não se deite com um homem como quem se deita com uma mulher; é repugnante”... Mas vejamos, apenas os Judeus, um pequeno contingente populacional, estavam sujeitos, naquela época, às regras das escrituras religiosas. O restante do mundo ocidental não via problema algum em nas práticas homossexuais.

Então, com a morte e a ressurreição de Jesus, o cristianismo começou a se desprender do Judaísmo e também passou a se expandir por outras comunidades e povos. Com o tempo os cristãos começaram a ser perseguidos, porém  a crença não parava de crescer, até o ponto que, no ano de 323 DC, o Imperador Romano Constantino, decidiu adotar o Cristianismo como religião oficial do Império Romano. Dizem que ele teria sonhado com uma cruz durante uma campanha militar e então mandou substituir a águia Romana pela Cruz de Cristo, como estandarte,  e então teria vencido a batalha de Adrinopla.

Ocorre que com a queda de Roma para os “bárbaros” e o início da Idade Média, “a idade das trevas”, alguém deve ter se lembrado do livro de “Levíticos”, e de outras passagens bíblicas e começaram a difundir a ideia de que tal prática era errada.  Dando um salto no tempo, já no final da idade média e início da idade moderna, o poder religioso era tão grande que a prática homossexual já passava a ser tratada de forma moral e já havia se tornado crime, com previsão de pena de morte.

No Brasil, colônia de Portugal e até 1830, nos adotávamos como Código Penal, as Ordenações Filipinas do Reino de Portugal, que previam as seguintes penas para a prática do “crime de homossexualidade": “feito por fogo em pó, por tal que já nunca de seu corpo, e sepultura possa ser ouvida memória”. Queimados vivos na fogueira até que não se restassem mais cinzas ou memórias de suas vidas. As punições incluíam também, o confisco de bens, infâmia dos descendentes e até a tortura.

Lógico que muita gente com bens, recebeu a acusação de homossexualidade para lhes tomarem o patrimônio.... Bom, mas em 1830 tudo mudou, foi criado o Código Criminal Brasileiro, que aboliu o crime da homossexualidade. Mas, nada impedia que homossexuais fossem abordados nas ruas e conduzidos para delegacias, por estarem cometendo o suposto delito de “vadiagem”.

Em meados do século XIX e durante quase todo o século XX, a homossexualidade passou a ser estudada e tratada como doença psiquiátrica. Definiu-a como "um distúrbio degenerativo", tratada por vezes com choques elétricos e internações em manicômios. Existem relatos de tentativas médicas até  de transfusão de sangue para encontrar a “cura”. O homossexualismo até 07 de maio de 1990 era tratado como doença mental e constava da (CID) Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde, quando foi retirado. Desde então, a data virou símbolo da luta por direitos humanos e pela diversidade sexual, contra a violência e o preconceito.

Entenderam pessoal? Nós fomos treinados e doutrinados durante mais de 1000 a acreditar, primeiro que era um problema moral, depois que era um crime e ainda pior, finalmente cremos por mais de 150 anos, que era uma doença mental...Um preconceito com raízes tão profundas que serão necessárias a sucessões de gerações para minimizar o estrago, e esquecemos do mais importante “amar ao próximo como a ti mesmo”. 

Fabrício Lucindo Lima é delegado de Polícia Civil

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