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Um quadro: O crime e a morte nos fascina mais do que o perdão e o amor

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Hoje o colunista Fabrício Lucindo Lima traz verdades nuas e cruas que fazem parte da vida do ser humano. É forte, mas você vai se encontrar nelas. Confira:

Há um tempo atrás, estive no MASP, Museu de Arte de São Paulo, passeando  e conhecendo uma pouco da verdadeira selva de pedra.  Ao entrar em uma de suas principais galerias, dei de cara com esse quadro da fotografia, onde um artista que eu não lembro o nome, retrata uma expressão totalmente instigante e  diferente de nosso Senhor Jesus Cristo. Intrigado, fiquei imaginando e tentando entender seu significado, durante meses.

Esta semana, novamente a imagem veio a minha memória, totalmente sozinho, passei a meditar novamente sobre o assunto, olhei para mim mesmo durante  muito tempo em frente a um espelho e também  para tudo que estava a minha volta, então cheguei as respostas para todas as minhas duvidas. Entendi basicamente que, Jesus apresenta esta expressão de saturado, talvez por já  terem se passado mais de 2018 de sua morte e ressurreição e até hoje nós não conseguimos compreender  seus ensinamentos.

Nós gostamos de vingança, do ódio e do rancor,  o crime e a morte nos fascina mais do que o perdão e o amor. Quando se trata de redes sociais e política então....Nós  adoramos divulgar   histórias e vídeos, de algum político de esquerda  ou de direita, não importa o lado, que  humilhou alguém com pensamento contrário ao seu, os alvos também podem ser jornalistas, ou até qualquer pessoa do povo que discordam de suas ideias, ou seja, nós queremos eleger  candidatos que tem o hábito de  humilhar, não importa quem seja, desde que não seja eu o humilhado... Mas não se esqueçam, políticos eleitos são “servidores públicos”, são colocados por nós no poder para nos servir e não para sair por ai humilhando este ou aquele.

Procurei um pouco no passado e consegui achar pouquíssimos exemplos de políticos diferenciados neste mundo. Um exemplo antagonista perfeito, desse movimento agressivo que bate as nossas portas foi Mohandas Karamchand Gandhi conhecido comoMahatma Gandhi"A Grande Alma", foi o idealizador e fundador da moderna Índia, um só país para Indus e Muçulmanos. Foi o maior defensor do princípio da não agressão e de protestos sem violência.

O camarada conseguiu libertar toda a Índia do domínio colonialista inglês sem derramar uma gota de sangue, sem ameaçar ou humilhar ninguém. Porém foi vencido logo após pelos séculos de ódios e rancores de sua própria gente, hindus e muçulmanos, que dividiram o país dois, Índia e Paquistão.  Em janeiro de 1948 foi vencido novamente pelo ódio, assassinado.

Mahatma Gandhi teve pouquíssimos verdadeiros seguidores de suas ideias pelo mundo, pois como eu disse, essa história de não violência é muito chata, nós não gostamos disso. Nós verdadeiramente gostamos é de ver pessoas públicas serem expulsas de aeroportos, restaurantes... nós adoramos ver pessoas, supostamente criminosos, serem linchados até a morte... nós não queremos paz... nós gostamos é de guerra mesmo.

Se nosso compositor referência dos anos 80, Renato Russo, estivesse vivo hoje, talvez ele até mudasse a letra de uma de suas música: “ainda.... que eu falasse a língua dos homens, que eu falasse a língua dos anjos... sem ódio e sem vingança eu nada seria...Não é a toa que o quadro, a obra de arte pintada pelo artista, apresenta um Nosso Senhor Jesus Cristo tão desolado e desconsolado,  não é nada disso que ele nos ensinou e nos ensina até hoje e em todos os dias de nossas vidas.

Fabrício Lucindo é delegado de Polícia Civil