Economia

Mobilidade: 30% das empresas de ônibus urbanos do Brasil à beira do colapso

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Após avaliar a grave crise econômico-financeira enfrentada pelo setor – e acentuada principalmente a partir de 2013 – empresários do transporte público por ônibus de todo o País assinaram e enviaram às autoridades nacionais um alerta sobre o iminente colapso a que está sujeito o sistema de transporte público urbano brasileiro.

Nomeado Carta de Brasília, o jornal “Transporte.Log” publicou a carta na íntegra na edição do mês passado , o documento chama a atenção para os riscos à sobrevivência das empresas e para a dificuldade de continuar ofertando esse serviço essencial para grande parte da população brasileira. Os empresários cobram políticas efetivas de fortalecimento do transporte coletivo, financiamento adequado e investimentos dos governos federal, estaduais e municipais em projetos de melhoria da infraestrutura viária.

O segmento de transporte urbano por ônibus conta hoje com 1.800 empresas, com uma frota de 107 mil veículos que transportam 34 milhões de passageiros por dia nas cidades brasileiras, gerando quase 500 mil empregos.

O descumprimento dos contratos de concessão e o adiamento de reajustes tarifários acordados têm agravado o desequilíbrio financeiro do setor: 10% das empresas de transporte coletivo fecharam as portas entre 2014 e 2016, e 30% do segmento, cerca de 600 empresas, enfrenta alto grau de endividamento e risco de insolvência. O problema atinge especialmente as pequenas e médias empresas e afeta a qualidade do serviço ofertado.

Promessas do governo federal que não saíram do papel, como o Pacto Nacional pela Mobilidade Urbana, que jogou por terra a maioria dos projetos de melhoria da infraestrutura das cidades, e o sucateamento de projetos de BRT e outros, lançados a reboque dos grandes investimentos anunciados no clima de euforia da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, são os principais motivos que, segundo o setor, contribuíram para o desmonte de sistemas de transporte público, hoje incompletos, sem manutenção e segurança adequados, em total desrespeito com o orçamento público e com os usuários do sistema de transporte público por ônibus.

De acordo com a Carta de Brasília, redigida em março, após um dia de intensa avaliação e debate realizados na sede da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbanos (NTU), os empresários de grandes empresas do setor exigiram que o governo tome medidas urgentes para garantir a prestação dos serviços com qualidade e preços acessíveis.

Grande Vitória

Se não foi diretamente afetado pelas consequências dos eventos esportivos que aconteceram no Brasil, por outro lado, o segmento de transporte público da Região Metropolitana de Vitória sofre por outros motivos, em especial pela queda de demanda.

Entre 2014 e 2017, houve uma redução de 14,7% no número passageiros transportados pelos ônibus do Sistema Transcol, motivados pelo crescimento do desemprego, viagens mais demoradas causadas pelos longos engarrafamentos e decorrência do maior número de carros nas ruas e a falta de prioridade ao transporte coletivo nas vias, transporte ilegal de passageiros, falta de segurança, uso de bicicletas, carona solidária e outras alternativas ao sistema, entre eles aplicativos como o Uber.

A redução impactou fortemente, de forma negativa, no faturamento das empresas, que, ao arrecadarem menos do que o necessário para pagar seus custos, se endividam buscando alternativas para driblar a crise e manter a qualidade do serviço. Some-se a isso a alta de mais de 28,83%* no valor do diesel, desde a nova forma de cálculo do preço estipulado pela Petrobrás em julho do ano passado, e de outros fatores que refletem diretamente no custo operacional do sistema (*dados do Valor Econômico dia 10/04/2018).

Linhares

Em Linhares a situação não é diferente. Já foi registrado uma queda de mais de 2 milhões de passageiros de ônibus. A empresa que atua no transporte público da cidade registra queda há 4 anos. No período de 2014 a 2017 foi registrada uma queda de 2.260.234 passageiros, ou seja, 18,5%.

 Propostas

Entre as propostas para fortalecer o setor estão o cumprimento rigoroso dos contratos de concessão ou permissão, respeitando os direitos e deveres das duas partes; o financiamento de parte dos custos operacionais do transporte coletivo pelo transporte individual; a retomada dos investimentos na infraestrutura urbana e a priorização dos espaços urbanos destinados ao transporte coletivo, entre outros.

“Todas as propostas estão alinhadas com a percepção do setor de que é impossível continuar ofertando um serviço sem a contrapartida dos governos federal, estaduais e municipais que, ao invés de estimular a melhoria desse transporte essencial para mais de 80% da população brasileira que se desloca por meio do ônibus, tem contribuído para a degradação do serviço”, esclarece o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha.

Remissão:

A Carta de Brasília pode ser lida na íntegra em http://bit.ly/cartantu

Fonte:  Revista GVBus