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Importantíssimo: Delegado fala sobre abuso sexual infantil

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O delegado Fabrício Lucindo Lima destaca hoje um dos assuntos mais importantes já enfocados por ele no Site Eu Vi em Linhares. Confira:

Abuso sexual infantil, um dos temas mais difíceis de se lidar na Polícia, principalmente para quem já é pai ou mãe. Nosso texto de hoje tem por objetivo esclarecer algumas dúvidas, dar algumas dicas e especialmente desobstruir a visão daqueles que não levam muito a sério essa tragédia brasileira.

Pois bem, abuso sexual infantil é manter qualquer atividade sexual com ou sem violência entre um adulto e uma criança. Além do contato sexual direto, ainda existe a possibilidade do abuso indireto, com práticas como o exibicionismo, exposição de material pornográfico, voyeurismo, e inclusive o que se tornou uma febre entre os pervertidos, manter comunicação sexual através do telefone ou da internet. 

Os especialistas estimam que 1 em cada 4 meninas de 1 a 6 anos pode se tornar uma vítima de abuso sexual antes dos 18 anos. Um em cada 5 meninos é abordado sexualmente pela Internet, e a idade média das denúncias por abuso sexuais é a partir dos 9 anos e idade.

Infelizmente, a maioria das vítimas, crianças, nunca informam o abuso, por medo, ou vergonha. Estatisticamente, é bem provável que você conheça algum abusador e ele pode até fazer parte de seu círculo de amizades ou familiares. Assustadoramente, nos meus anos de experiência, pude perceber que o maior perigo para as crianças não vem de pessoas desconhecidas, mas sim dos próprios familiares e amigos, uma de cada três crianças é abusada por membros da sua própria família.

Como age o abusador: Os criminosos ficam ocultos em relações de família e amizade, trabalham com a criação de uma falsa relação de confiança com os pais das vítimas, exatamente como um lobo à espreita. Quando ataca, o abusador manipula a mente da vítima, a ameaçando, criando medo e vergonha. Plantam a ideia de que foi permitido pela criança e que os pais vão ficar bravos quando souberem; Então, um dos motivos de as crianças não revelarem os abusos, é o medo da reação dos pais.

Como detectar um possível abuso sexual infantil: Alterações bruscas no comportamento, apetite ou sono; Desejo de se manter isolada, evitando contato com amigos e familiares; Agitação, perturbação, incomodo quando existe possibilidade de ficar no mesmo local com uma determinada pessoa; Medo desproporcional quando é necessário de um exame médico; sentem-se sujas e contaminadas; Interesse excessivo no contato com seus genitais, ou evitação; agressividade excessiva; Caso haja alguma dúvida, a criança deve ser levada a um especialista médico de confiança da família.

Prevenção: existem inúmeras atividades que poderíamos exemplificar, então trataremos das mais importantes: Fiscalize constantemente as roupas e as partes intimas de seus filhos; Nunca deixe seu filho sozinho em um computador; Não permita senhas em computadores ou aparelhos celulares; Supervisione a Internet; Deixe seu filho sempre dentro da escola, nunca na rua e ao busca-lo, da mesma forma, o apanhe dentro da escola; Nunca deixe seus filhos sozinhos em banheiros públicos; Conheça os amigos de seus filhos e seus pais; Cuidado com atividades esportivas, acampamentos e outros; Fale abertamente do assunto com o seu filho, sobre seu corpo, de como cuidá-lo e como se defender. Entenda porque as crianças têm medo de contar o acontecido. 

A reação dos pais tem um grande impacto sobre uma criança vítima de abuso sexual. Se você responder com raiva ou incredulidade,  a Vítima se fechará e se sentirá ainda mais culpada. Ofereça sempre o seu apoio, escute-a, e não duvide da sua palavra,  agradeça pela coragem de ter lhe contado e reconheça sua valentia; Não entre em pânico; Tome atitudes, mesmo embasadas apenas em  suspeitas de violência sexual e finalmente, busque ajuda de profissionais para falar com seu filho(a).

Esse tipo de crime destrói completamente o futuro e a estabilidade emocional das crianças; Uma Vítima hoje, carregará para o resto da vida as consequências e os traumas psicológicos e psiquiátricos do que lhe aconteceu. Por último, mas não menos importante, nunca devemos divulgar com detalhes, em meios de comunicação, a história de um crime sexual, o modo como ocorreu, pois comprovadamente, irá despertar a curiosidade e o apetite pervertido de outros psicopatas e abusadores.