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Avó esconde neto, PCs descobrem e são atacados a vassouradas pela mulher

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Até onde vai a proteção de uma avó, sobretudo, quando os policiais não entendem uma palavra do que ela fala. Mas após quase desistirem, os policiais encontraram o neto, e acabaram atacados a vassouradas! Confira o que aconteceu, com detalhes contados pelo delegado Fabrício Lucindo Lima: 

Uma história policial registrada em uma das mais belas cidades das montanhas do Estado do Espírito Santo, precisamente em Santa Maria de Jetibá. Pois bem, os Policiais Civis da cidade estavam fazendo diversos levantamentos para cumprimento de mandados de prisão em aberto determinados pela Justiça. Então chegaram a um nome, um rapaz que teria passagem por furto, porte ilegal de arma e crime vinculado a Lei Maria de Penha.

Com mandado de prisão e o de busca e apreensão em mãos, os policiais descobriram que o elemento se escondia nas noites frias das montanhas, na casa de sua avó, em um bairro um pouco distante do Centro da Cidade. Localizada a residência, determinamos que um dos policiais ficasse em um ponto estratégico com visão ampla do local, onde de binóculos, poderia informar as outras equipes o momento exato em que o alvo entraria na residência.

Um planejamento perfeito, contando é claro que o elemento iria seguir o “script” e iria aparecer para dormir. Campana de várias horas e como previsto, o rapaz entra na residência onde se abrigava todas as noites e é avistado pelo Policial da vigia.

Imediatamente a residência é cercada pelos Policiais Civis, não deixando possibilidade alguma de fuga. Daí surge o primeiro problema, somos atendidos pela avó do procurado e esta não sabe falar uma palavra sequer de português, somente Pomerano. Impossível convencer uma pessoa, de mais ou menos 70 anos, que não fala português, que tínhamos mandados de prisão e busca e apreensão em mãos e que precisávamos entrar na casa, para prender seu neto.

Procuramos por vizinhos que falassem a língua Pomerana, o que não foi difícil de encontrar. E essa é uma das partes que eu mais gosto de Santa Maria de Jetibá, "conversa a três com tradutor". Então, enquanto a tradutora conversa comigo e com a senhora no portão, um dos policiais entra na casa e faz uma revista completa e demorada. Saindo da casa informa: -“doutor não encontrei nada! Evaporou”.

Impossível Não havia possibilidade de fuga! Resolvo eu  mesmo entrar na casa para uma nova revista, enquanto isso, a senhora de 70 anos nos acompanha, falando o tempo todo e eu não entendendo uma vírgula sequer do que ela dizia. Procuramos novamente em todos os cômodos, debaixo de todos os móveis, sofá, guarda-roupas e todos os lugares onde ele pudesse estar escondido e não encontramos absolutamente nada. Ressaltando que apesar de ser uma residência de uma família humilde, uma casa impecavelmente limpa e organizada.

Do lado de fora novamente, reúno os Policiais, já desistindo da prisão,  para conversar sobre o que deu errado e por onde ele pode ter escapado, neste momento a rua já está cheia de curiosos. Daí um dos policiais lembra que seria impossível fugir com a casa cercada por todos os lados e sugere que poderia estar escondido por cima do forro da casa. A princípio acho impossível, o forro da casa era muito frágil e não aguentaria o peso, mas pela terceira vez entramos na casa para procurar o fugitivo.

Desde logo, descartamos o forro. Como pudemos comprovar, era muito frágil, a entrada apertada e com muitas teias de aranha, impossível alguém passar pelo local sem deixar marcas. Procuramos detidamente em todos os cantos da casa novamente, com lanternas, inclusive. Percebemos que na sala, a senhora ficava o tempo todo sentada no sofá. Ficamos desconfiado daquele comportamento, mas...., já havia levantado o sofá três vezes para olhar por baixo, não poderia estar ali.

Porém, mais uma vez pedi licença a senhora e levantamos pela 4ª vez o móvel da sala. Desta vez um policial foi com uma lanterna e iluminou por baixo e então conseguiu visualizar a sombra do foragido por dentro do forro de pano do sofá. Um espanto total, quando fazíamos a alavanca para visualizar por baixo, ele muito leve, se agarrava na estrutura do sofá, por baixo como se fosse um “bicho preguiça”  e virava junto, como se fizesse parte do móvel.

Depois de localizado, se rendeu e foi preso. Dai começou outro problema: A vovó que não entendia nada de português ou do que estava acontecendo ali, atacou toda a equipe a vassouradas, golpes que por pouco não me acertaram e ao policial que conduzia o preso. Então, novamente pedimos a tradutora que explicasse toda a situação para a vovó e que ela procurasse um advogado para o neto.

Resumo da historia, em anos e anos de Polícia Civil nunca havia visto um malandro tão criativo para se esconder.... Nem uma vovó tão protetora! Mas a polícia sempre vence no final,  e o crime não compensa!

Fabrício Lucindo é delegado de Polícia Civil