Polícia

Julgamento caso Arielle: MP e defesa 'travam' 'duelo de gigantes'

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Um duelo de gigantes, com sete jurados que decidiriam quem levaria a melhor. É o que se viu nas primeiras falas do representante do Ministério Público e da defesa do réu que começou a enfrentar o júri popular às 9h00 desta quarta-feira (6) pelo homicídio de Arielle Martins Pardinho, 21 anos, morta com um tiro na boca. O cenário, o salão do Tribunal do Júri do Fórum Desembargador Mendes Wanderley, no bairro Três Barras, atraiu muitos universitários do curso de Direito, e eles foram tantos que houve distribuição de senhas. “Simplesmente é uma aula de direito”, disse Lívia Machado Vilhagra, que estava na fila para entrar no salão.

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De camisa de mangas longas de cor branca, calça jeans e aguardando qual seria a sentença lida pelo Juiz de Direito após decisão dos jurados, o réu Marcos Rogério Amorim dos Santos Júnior, sempre de cabeça baixa, olhou para a parede ao lado do espaço dos jurados quando o representante do Ministério Público, o promotor de justiça Claudeval França Quintiliano, pediu que fosse colocada no sistema a foto da vítima. A acusação começou então a mostrar aos jurados partes importantes dos autos, sobretudo ao que tange a participação do Policial Rodoviário Federal aposentado, Marcos Rogério Amorim dos Santos, pai do réu, ao dar fuga ao filho e alterar a cena do crime.

Pedindo a condenação do réu por homicídio doloso, Quintiliano referiu-se ao rapaz ironicamente como “anjinho”, depois foi mais duro ao falar que a mãe da vítima esperava há cinco anos por uma resposta. O promotor de justiça afirmou a existência de contradições e cobrou motivos para o réu não querer ser julgado. “A defesa aderiu a todos os tipos de recursos. Quem ele pensa que é?”, disse Claudeval, que também chamou o réu de “cara de pau”, “canalha”, “vagabundo” e “picareta” e que as lágrimas que ele chorou seriam “lágrimas de crocodilo”.

A arma usada no crime passou de mão entre os sete jurados, todos jovens, sendo quatro homens e três mulheres. “Fique tranquila, está desmuniciada”, comentou o promotor de justiça quando uma jurada exitou em seguir as instruções para ele mostrar como é a “ação simples” e a “ação dupla”. “Ele (o réu) disse que a vítima acionou a ação simples, e isso é outra aberração”, considerou o promotor de justiça, que não usou o microfone durante sua primeira fala.

Defesa do réu

A advogada Monique (que usou o microfone) começou a defesa do réu citando: “Marcos Rogério Amorim dos Santos Junior é uma pessoa, e Marcos Rogério Amorim dos Santos é outra, é o pai do réu. E quem está sendo julgado aqui é o filho”.

A advogada disse que o processo está farto de provas, rico em detalhes e que o Ministério Público quis julgar o pai e não o filho. “Para matar uma pessoa, é preciso motivação. E qual foi o motivo? O Ministério Público não citou porque não tem”, firmou Monique.

A defesa citou mensagens da vítima via celular para o réu, enviada três dias antes do crime. “Está nos autos, e a mensagem diz ‘quero fazer um amor bem gostoso’ e tem outras mensagens e tudo está nos autos. O que temos nesse processo é uma fatalidade, que infelizmente vitimou a Arielle”, disse Monique.

A defesa também mostrou um vídeo, com reportagens sobre tiros acidentais com armas como a que matou a vítima. E o julgamento prosseguiu. A sentença foi lida por volta das 20h40 e o réu foi condenado a 13 anos e nove meses de prisão, mas a defesa pediu e o Juiz André Bijus Dadalto, que presidiu o Júri, decidiu que Marcos Júnior aguarde recurso em liberdade, pois respondeu todo o processo em liberdade e compareceu em todos os atos processuais quando intimado.