Meio Ambiente

Samarco se recusa a fazer obra e abastecimento de água pode ficar comprometido em Linhares

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“Não vamos construir”. Eis a resposta da mineradora Samarco, responsável pelo desastre ambiental que atingiu e comprometeu o Rio Doce, atualmente contaminado pelos rejeitos de minério da barragem que se rompeu em Mariana (MG). A confirmação da negativa por parte da mineradora se deu nesta terça-feira (22) e trata-se da construção de um novo ponto de captação de água na Lagoa Nova para o abastecer residências e estabelecimentos comerciais de Linhares.
A triste notícia da decisão foi revelada durante uma reunião que envolveu a Promotoria de Justiça de Linhares, o Ministério Público e a Prefeitura municipal. A consequência da negativa por parte da empresa pode significar falta d´água no município.
Dinheiro que virou lama
Antes da contaminação das águas do Rio Doce, a Prefeitura de Linhares, preocupada com as consequências da crise hídrica, construiu, no segundo semestre do ano passado, um ponto de captação no Doce para suprir a demanda de água da cidade, já que o Rio Pequeno era ( e continua sendo) o único ponto e sem chuva a situação se agravava a cada dia. Contudo, a ação que superou R$ 3 milhões de investimento, foi frustrada antes da inauguração, prevista para meados de novembro, já que no dia 5 daquele mês aconteceu o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais. Desse modo, o sistema de captação precisou ser revisto e a inauguração foi cancelada.
O pedido para a Samarco construir de um novo ponto de captação foi uma iniciativa da Prefeitura Municipal, pois o Rio Pequeno pode estar com os dias contados por causa da falta de chuva na região.
As reuniões para compensar “o estrago” referente ao ponto de captação que seria construído no Rio Doce tiveram início em dezembro e as atenções foram voltadas para a Lagoa Nova. A Samarco fez as exigências de documentos que consistiram em aval do MP e da Prefeitura, licenças ambientais, outorga de proprietários para a passagem de canos de água para o início das obras e a situação parecia estar a um passo de ser resolvida.

Foi dado prazo para a Samarco fazer a parte que lhe cabia, e esse prazo chegou a ser, inclusive, estendido por três vezes a pedido da mineradora que agora se recusa a fazer a obra.
Em contato com a Prefeitura de Linhares, a nota diz: “o município lamenta a resposta negativa da mineradora e aguarda novo posicionamento do Ministério Público, uma vez que todos os documentos necessários para a execução do projeto foram entregues. Novas medidas judiciais já estão sendo preparadas para que a Samarco cumpra com aquilo que o governo municipal acredita ser de responsabilidade da mineradora”.
Em contato com a Samarco, a nota diz: “A Samarco reitera que a construção de sistemas alternativos de captação e adução e melhoria das estações de água dos municípios afetados temporariamente é medida reparatória prevista no acordo firmado, no dia 02 de março, entre Samarco, suas acionistas, a União, e os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. A Samarco informa ainda que continuará mobilizando esforços necessários para o atendimento às pessoas afetadas e para a mitigação das consequências ambientais.”