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Alexandre compara ocorrido político no Brasil com a revolução francesa

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Com o título “De Versailles a Brasília: a repetição dos protestos, Alexandre Martins de Castro expõe o belíssimo texto abaixo:
“Há pouco mais de 226 anos, os pobres de Paris, mulheres em sua maioria, premidos pela fome, pobreza e escassez de pão, marchou para o Palácio de Versailles, onde estava Luís XVI, rei francês que era casado com Maria Antonieta, conhecida como mulher que gastava fortunas em futilidades e jogo.
A multidão sitiou o Palácio e obrigou o Rei e sua família a voltar com os manifestantes para Paris, marcando, ali, o fim da autoridade real.
Eram, como disse, mulheres em sua maioria, famintos e pobres exigindo a volta do Rei a Paris.
Ontem, pelo que estou sabendo, deu-se um fenômeno inverso, mas parecido. O Palácio presidencial foi cercado, não por pobres, porque estes, coitados, foram calados com o auxílio de poucas dezenas de reais com míseras bolsas-família.
Também não eram mulheres exigindo a volta do Rei a Paris.
Eram homens e mulheres, moradores da capital do Brasil, que saíram de seus trabalhos e foram cercar o palácio para pedir não a volta, mas a saída da “rainha”, não por fome ou escassez de pão, mas por fome e sede de honestidade, por não aceitarem nomeações de quem diz ser conferencista de 200.000 dólares e sequer sabe falar sem proferir palavrões. Eram brasileiros e brasileiras que não aceitaram manobras aéticas para escudar investigado com cargo ministerial. Eram brasileiros que não diziam que a “nomeação” é ilegal, mas que é imoral.
Na França, há 226 anos, o foco de pressão era Paris, a capital. No Brasil, todas as capitais! E as aglomerações, manifestações, panelaços, com direito a bonecos “pixulecos”, provocaram enorme repercussão nos Estados Unidos e nos grandes países europeus, com manchetes nos principais jornais e órgãos de imprensa.
Mas ao contrário do que fez o Rei, que ficou no palácio, ouviu a multidão e voltou para Paris, a nossa “rainha” saiu às pressas do palácio presidencial e foi para outro palácio, fechou os ouvidos aos gritos de milhões de brasileiros e... não saiu, não renunciou. Pior, manteve o desbocado “ex” no cargo dado de presente.
Talvez por isso, De Gaulle, ex-presidente francês, afirmou que o Brasil não é um país sério. E não é mesmo!
Afinal, congressistas são eleitos pelo povo e devem representar não os interesses deles, mas os anseios do povo que os elegeu. Mas, a exemplo da “rainha”, eles também estão surdos para os gritos de seus eleitores, que apenas querem e exigem ética, moralidade e... honestidade.
É pedir muito? É golpe não aceitar que um investigado por crime e que, notoriamente critica as instituições do país e insinua tráfico de influência com Ministro seja nomeado pra cargo nesse “reinado”?
A voz das ruas é uníssona: Renúncia ou afastamento (como ocorreu com o rei francês).
Como o “companheiro” falou, “tchau, querida”!
Ou, na linguagem que a “realeza” entende: sai fora! Entendeu, “rainha”?”.
Alexandre Martins de Castro é Jurista, advogado e conferencista internacional. É pai do Juiz Alexandre Martins de Castro Filho, assassinado em 2003.
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