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Colunista pergunta sobre suicídio: Vamos falar sobre desistir?

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Um amigo me mandou o link de um vídeo, que mostrava uma tentativa de suicídio na terceira ponte (Vitória/ Vila Velha). Fiquei bastante surpreso com a reação de um homem que não pensou duas vezes e agarrou a mulher pelas costas, dando desfecho a uma cena que tinha tudo para terminar em tragédia.
Mas o que leva uma pessoa a desistir de si mesma? Seria um “simples ato de covardia”, como sugeriu o ex-jornalista do SBT, Luiz Carlos Prates? Ou então o último recurso de fuga, de uma realidade que se torna a cada dia um fardo mais pesado?
Pessoas que têm uma fala com poder de alcance muito grande, têm também, responsabilidade por aquilo que cativam. Haja vista, a quantidade de comentários apoiando ideias tão truculentas e carregadas de senso comum, como as ditas pelo pretenso senhor Luiz.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o suicídio mata mais jovens (pessoas com idade entre 15 e 29 anos) que o HIV no mundo. Vamos nos atentar ao fato de que a entidade que emitiu esse dado, trata do tema suicídio, como uma consequência advinda de patologias psicológicas.
Sendo o suicídio uma consequência de patologias, a responsabilidade por tais atos deve ser avaliada de maneira minuciosa (uma vez que a saúde mental de qualquer individuo é influenciada por fatores internos e externos).
Infelizmente, o tema ainda é tabu na sociedade. Uma vez que os valores predominantes foram absorvidos de conceitos religiosos que tratam do suicídio como algo “imoral”. Não vou entrar no mérito dessas ideias, mas quero deixar o seguinte questionamento: os valores religiosos não deveriam ser escolhas individuais? E se sendo eles escolhas individuais, caberia a você amigo leitor, o direito de torna-los base do todo modo de vida?
Como podem perceber, não sou capaz de dar um ponto final num assunto tão complexo e que abre base para tantas outras discussões. O que pretendo gerar com esse artigo são cada vez mais dúvidas, uma vez que estamos cercados de certezas que nunca questionamos se são corretas ou não.
Mas já que tenho essa oportunidade de instigar o amigo(a) a fazer mais questionamentos, gostaria de contribuir de alguma forma com pessoas que por vezes passam por momentos difíceis e por desinformação acabam recorrendo a soluções definitivas para problemas passageiros. Vou deixar uma pequena lista de endereços online para o aprofundamento e amadurecimento da percepção sobre esse tema.
Rede brasileira de prevenção ao suicídio: http://www.rebraps.com.br/
Conte comigo: http://www.contecomigo.org.br/
Centro de Valorização da vida: http://www.cvv.org.br/ (esta iniciativa possui uma estrutura incrível de dialogo e informação, contando até com telefone para emergências: 141. Se possível, divulguem esse trabalho em suas redes sociais, você pode salvar uma vida!).
Celso Segato Vieira Junior, 19 anos - estudante