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Zenilton comenta entrevista de Nozinho: foi acusado de roubo, preso, condenado?

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Só hoje tive a oportunidade de ler a entrevista concedida pelo prefeito Nozinho Correa ao jornal A Gazeta (edição do dia 17 de março). Gostaria de fazer algumas considerações. Em primeiro lugar, acho que o jornalista Vinícius Valfré, profissional que em outras matérias já demonstrou ser um cara competente, talvez por força da correria, tenha sido superficial na abordagem.
Quero dizer que ele focou seu trabalho em fofocas de bastidores ao afirmar, por exemplo, que “há um comentário geral de que a prefeitura é tocada por secretários”. E se for, qual o crime? Saber delegar poderes se constitui em uma virtude, em uma estratégia administrativa. Até porque, quando o governante não age assim, é taxado de “centralizador”. Os grandes empresários e governantes fazem isso o tempo todo, delegam poderes para pessoas que consideram capacitadas.
Também achei estranho o repórter perguntar se o prefeito se sente com “moral” para pleitear outro mandato. Ora, ele foi acusado de roubo, foi preso, condenado? Sua administração pode até não ter atendido as expectativas dos eleitores e da população, mas isso não compromete a moral de ninguém.
Gostaria de vê-lo fazendo a mesma pergunta ao governador Paulo Hartung e a outros governantes e políticos sobre os quais pairam sérias suspeitas de que eles teriam colocado em risco sua idoneidade moral. Por fim, voltando às fofocas dos bastidores, o repórter argumenta que “há um comentário geral de que a prefeitura é tocada por secretários”. E na pergunta seguinte: “É possível administrar sem Rodrigo Paneto (Secretário do Desenvolvimento)”? Bem, seria o mesmo que perguntar para o presidente do time do Barcelona, se seria possível continuar ganhando títulos sem a presença do Messi.
Ele, provavelmente, responderia: Seria possível sim, mas porque que eu iria abrir mão do cara que resolve, que faz os gols, que segura os pepinos? E sobre o título da matéria: “Nozinho e fiel escudeiro admitem que prefeitura deve mais de R$ 30 milhões a fornecedores”. Eles não “admitiram”, pois que eu saiba não existia nenhuma polêmica em relação a isto (pelo menos a matéria não explorou o assunto).
Admitir, significa revelar sob pressão e, pelo que sei, este não foi o caso. Portanto, eles informaram que a prefeitura deve entre R$ 30 a R$ 40 milhões aos fornecedores”, o que é diferente. Tem ainda a questão do “escudeiro do prefeito”. Mas este assunto, vou reservar para outro texto.
Que minhas observações não sejam interpretadas como uma tentativa de negar a legitimidade da iniciativa jornalística de A Gazeta. Muito pelo contrário, só fiz questão de me manifestar por conhecer a força da credibilidade do veículo, sobretudo no que tange às coberturas do universo político capixaba. Espero que minhas observações sejam vistas como uma espécie de “carta ao leitor”, setor do jornal destinado aos elogios, críticas e observações gerais dos leitores.
Zenilton Custódio é jornalista
Nota: Espaço aberto aos citados se desejarem manifestação sobre a opinião do colunista.